Coisa Mais Linda estreou no passado dia 22 de março. É a quarta produção brasileira a ser apoiada pela Netflix.

A série de Giuliano CedroniHeather Roth aborda a ascenção do bossa nova e o empoderamento feminino vivido no fim da década de 50.

Será que a série alcança o potencial da sua premissa? O Espalha-Factos traz-te a resposta.

Sentimento Familiar

Em 1959, Malu (Maria Casadevall) descobre que foi roubada e abandonada pelo marido quando se muda de São Paulo para o Rio de Janeiro. Disposta a dar a volta, ela mergulha no universo da recém-criada bossa nova ao conhecer Chico (Leandro Lima) – um cantor talentoso, mas inseguro, que a leva numa viagem de autoconhecimento – e cria um laço de amizade com Adélia (Pathy Dejesus), mulher negra e da favela, que luta contra o racismo diariamente.

Lê também: ‘AFTER LIFE’: SÉRIE PROTAGONIZADA POR RICKY GERVAIS VAI TER SEGUNDA TEMPORADA

Juntas, as duas mulheres criam um clube de música (que dá nome à série) e tentam afirmar-se como mulheres de sucesso. O caminho das duas cruza-se com Lígia (Fernanda Vasconcellos) e Thereza (Mel Lisboa).

A primeira sonha em ser cantora profissional, mas é reprimida pelo machismo e conservadorismo do marido. Já a segunda é uma jornalista que luta pelo direito das mulheres no mercado de trabalho.

Coisa Mais Linda

Fotografa: Netflix

A história desenrola-se com algumas reviravoltas típicas da telenovela brasileira. Não são necessariamente más, porém parecem familiares e usadas.

Mesmo assim, a mensagem feminista de empoderamento é bem executada. As protagonistas enfrentam obstáculos ao longo do caminho, sem nunca cair no exagero ou falta de realismo.

As próprias personagens masculinas não são vilões, apenas pessoas com alguns costumes que precisam de ser atualizados. O diálogo é o caminho para todos evoluírem no melhor sentido. É uma boa mensagem para se refletir.

Coisa Mais Linda

Fotografa: Netflix

Lê também: HÁ UM NOVO SERVIÇO DE STREAMING E É 100% PORTUGUÊS

Coração paulista em cidade carioca

O elenco de Coisa Mais Linda é sólido e recheado de boas atuações. Os dois elementos que mais se destacam são Maria Casadevall e Fernanda Vasconcellos.

Maria encarna Malu, a personagem principal da história. A residente de São Paulo é uma forasteira na cidade do Rio de Janeiro. A sua energia é contagiosa e determinante para a narrativa avançar. É uma interpretação fulcral e muito bem conseguida.

Fernanda faz o papel de Lígia. A personagem é uma velha conhecida de Malu e ajuda-a a estabelecer contatos importantes. É possuidora de um talento para o canto e é, por isso, uma das peças importantes no sucesso do clube de música. A história de Lígia é a melhor da série e a atriz corresponde.

Lê também: ‘A ESPIA’: CANNES RENDE-SE, PELA PRIMEIRA VEZ, A UMA SÉRIE PORTUGUESA

Ambas as protagonistas são uma demonstração de força feminina. Exploram a capacidade de libertação da música para alcançarem os seus objetivos.

Destacar, ainda, o trabalho de Gustavo Vaz no papel de Augusto. É o maior símbolo do conservadorismo patente na história e desempenha perfeitamente o papel de antagonista.

Coisa Mais Linda

Fotografa: Netflix

Samba audiovisual

O primeiro episódio basta para o espetador se deliciar com a cinematografia de Coisa Mais Linda. Há certos planos e sequências maravilhosas.

Certas culturas têm estilos de filmagem distintos. O brasileiro parece ser sempre capaz de transmitir uma sensação de serenidade traquina, que rapidamente ganha energia e movimento. Um pouco como o samba.

O simbolismo do mar é o mais patente e, em complemento com a banda sonora composta pelo melhor da cultura do Brasil, produz uma experiência sensorial ótima. É a melhor componente da série.

Coisa Mais Linda

Fotografa: Netflix

Lê também: QUATRO SUGESTÕES PARA VER EM ABRIL NA HBO PORTUGAL

Conclusão

Coisa Mais Linda não inova e peca por ter um enredo que podia ser visto na TV Globo. Não é mau, contudo também não é bom.

No entanto, as interpretações, a cinematografia e a temática conseguem impedir a série de ser medíocre. O público apreciador do género vai gostar e os sete episódios permitem um visionamento rápido.

Mesmo que frustrante em certos momentos, a série no seu todo acaba por ser como a voz feminina em melodia de bossa nova. Leve, agradável e bonita.

Nota Final: 7/10