“Vous avez droit à l’amour”, é assim que começa Osmosis, uma das mais recentes apostas da Netflix, que estreou no passado dia 29 de março de 2019. A série é uma produção francesa da autoria de Audrey Fouché.

A premissa é interessante: uma aplicação capaz de encontrar a alma gémea de qualquer pessoa e as implicações da mesma. Contudo, a série fica aquém do esperado.

Osmosis conta a história de dois irmãos, Esther e Paul Vanhove, criadores da aplicação, e dos 12 sujeitos que a estão testar. No primeiro episódio, ficamos a conhecer a empresa e o propósito da aplicação. Já no segundo, temos informação sobre como e o porquê desta ter sido criada. A partir daí, a vida de todas as personagens vai-se desenvolvendo e novas caras vão surgindo, ao longo de oito episódios.

Desde que foi anunciada que a série criada por Fouché foi comparada a The Black Mirror. Não falta assim tanta razão a quem o fez. Em alguns momentos, a série faz-nos lembrar um híbrido dos episódios “San Junípero” (E4S3) e “Hang the DJ” (E3S4). Contudo, as semelhanças terminam por aí. As semelhanças cénicas não são suficientes para colmatar a diferença a nível de conteúdo – área onde The Black Mirror ganha, claramente.

Osmosis apresenta-se como um mix de terror com ficção científica. Mas acaba por ser mais um drama recheado de histórias emaranhadas e repletas de melancolia. As histórias têm qualidade e captam a atenção do espectador, mas o seu potencial acaba por ficar sub-desenvolvido. Nenhuma história é contada ao pormenor e pouca sobreposição se encontra entre elas. Contudo, como a sua revelação é intercalada, com pouco tempo dedicado a cada uma, com os detalhes deixados, intencionalmente, para o fim de cada episódio, o espectador acaba por ficar atento e com a curiosidade em alta. Este é o ponto forte da trama: tem uma forma de quebrar a restante monotonia.

As especulações que Osmosis levanta são, sem dúvida, a parte mais importante da série. Será o amor a cura para tudo? Ou será o amor controlado e adquirido artificialmente apenas uma causa de dor? Seja no desespero de Paul com o desaparecimento da alma gémea, Josephine, seja na demanda pessoal de Esther para salvar a mãe, estas perguntas ficam em aberto, desde os primeiros episódios. Infelizmente, acabam por não ser bem encaminhadas para que o espectador procure respostas.

Fotografia: Netflix/Divulgação

Ao nível da ficção científica, o resultado é mais desapontante. O toque futurista acaba por ser banal, mais baseado em ambientes cinzentos e monótonos, com alguns “aconchegos” de inteligência artificial. Exemplos disto são a presença de um ou outro robô, o sistema de inteligência artificial (Martin), que fala com Esther e a referência ao uso de implantes e nanobots.

Embora os problemas textuais sejam suficientes para que a série não se destaque, tecnicamente a situação não é melhor. Osmosis acaba por se tornar entediante a nível visual: demasiado monocromática e com cenários pouco estimulantes. Salva-se, neste ponto, a banda sonora, bem coordenada com as emoções das personagens e bastante agradável ao ouvido.

Em suma, Osmosis é uma boa série para binge-watching, mas não passa daí. A série atira boas especulações para o ar, mas nunca nos encaminha a procurar respostas às questões sociais que nos coloca quase constantemente. Para além disso, a certa altura, a monotonia dos cenários e do guião instala-se e o drama começa a perder o interesse.

A primeira temporada da série é constituída por oito episódios e está disponível no serviço de streaming Netflix.

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