Contar o percurso da literatura portuguesa não nos permite contornar nomes como José Saramago e Fernando Pessoa. Mas não nos devemos ficar por aí, e, por isso mesmo, para assinalar este Dia do Livro Português, reunimos para ti alguns dos nomes mais sonantes da literatura portuguesa atual.

Falamos de escritores que cresceram num Portugal livre ou que apenas começaram a escrever o seu nome nas entrelinhas da literatura portuguesa depois de 1974. Quem é esta nova – e nossa – geração de autores portugueses que não nos vai deixar indiferentes?

Gonçalo M. Tavares

Gonçalo M. Tavares em ENTREVISTA EXCLUSIVA, na revista Somos Livros (peça a sua, gratuitamente, em qualquer livraria…

Gepostet von Bertrand Livreiros am Mittwoch, 12. April 2017

Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970, não em terras lusas, mas em Luanda. Começou a escrever em 2001 e, desde aí, escreveu várias obras de diversos estilos literários, lidas por todo o mundo, tendo já sido traduzidas em mais de 50 países.

Os seus livros receberam vários prémios tanto em Portugal como no estrangeiro. Com Aprender a rezar na Era da Técnica recebeu o Prix du Meuilleur Livre Étranger 2010 (França), prémio que já foi atribuído a nomes sonantes da literatura como Philip Roth e Gabriel García Márquez, entre outros.

Por onde as suas obras passam, prémios vão recolhendo. França, Itália, Brasil, Sérvia, foram os países onde mais reconhecimento o autor português teve, através de obras como Jerusálem, O ReinoNa América, Disse Jonathan.

As histórias que escreveu não ficaram unicamente nos livros e deram origem a curtas-metragens, óperas, projetos de arquitetura, entre muitos outros projetos. Gonçalo M. Tavares recusa-se a ser limitado por um género literário e, por isso, mistura literatura, filosofia e ciência e espera que os seus leitores desvendem o que quer realmente dizer.

Irreverência. A ficção do autor português recusa a deixar-se prender em qualquer estilo ou em qualquer lugar. O que mais agrada a Gonçalo é fazer algo novo com o que já há de antigo. A literatura permite-nos pensar sozinhos, “o livro é uma máquina de nos fazer levantar a cabeça e não olhar para nada, 99% das obras artísticas nasceram deste movimento em que a pessoa suspense a cabeça e pensa“.

Escrever é como investigar, é o que sente Gonçalo, para quem curiosidade é uma das características a que um escritor não pode faltar.

Isabel Rio Novo

Todos os encontros com livros e amigos são bons, sobretudo se por lá passar também Agustina. Comecem a pôr na agenda, por favor.

Gepostet von Isabel Rio Novo am Mittwoch, 30. Januar 2019

 

Isabel Rio Novo nasceu e cresceu no Porto, em 1972, onde primeiro estudou História da Cultura Portuguesa e depois Literatura Comparada.

Hoje, para além de escritora, é também professora de História de Arte, Literatura e Escrita Criativa. A sua obra literária abrange desde dicionários ilustrados a romances onde a ficção é a lei, em obras como A Febre de Almas Sensíveis ou Rios de Esquecimento, obra com a qual foi finalista do Prémio LeYa e semifinalista do Prémio Oceanos.

A autora contemporânea escreve cruzando o registo histórico e a liberdade ficcional, em obras que garante que desassossegariam ditadores sentados na sua cadeira. Antes do 25 de abril, “coisas que hoje damos como garantidas condicionavam então o que uma mulher escritora poderia fazer“, disse à revista Visão.

Para a escritora, a literatura anda de mãos dadas com a nossa dimensão humana, considerando também que a nossa geração se distingue por escrever “de forma mais solta, liberta e aberta“. Um Portugal com autores portugueses a escrever para todos os gostos é o maior legado que quer deixar.

José Luis Peixoto

A partir de segunda-feira, na Universidade de Macau.

Gepostet von José Luís Peixoto am Freitag, 8. März 2019

José Luís Peixoto nasceu na pequena aldeia de Galveias, em pleno Alto Alentejo, no ano da liberdade. E foi o Alentejo a que chamou de casa até aos seus 18 anos, até o deixar para trás para vir para Lisboa estudar Línguas e Literaturas Modernas, conhecer a língua inglesa e alemã, para depois ser professor, não só em Portugal, como também em Cabo Verde.

Foi apenas no ano de 2001, que um dos mais destacados autores da literatura portuguesa contemporânea decidiu fazer da escrita ocupação. Peixoto escreve essencialmente ficção e poesia que não só é lida um pouco por todo o mundo, como é também estudada em diversas universidades, tanto nacionais como estrangeiras.

Com apenas 27 anos, José Luís Peixoto foi o mais jovem vencedor de sempre do Prémio Literário José Saramago, com o seu romance Nenhum Olhar. Os seus livros foram traduzidos e publicados em 26 diferentes idiomas, tendo inclusive sido o primeiro autor português a ter romances – Galveias e A Mãe que Chovia – traduzidos diretamente para georgiano e para mongol.

Mas o autor não se fica por aqui: Morreste-me foi escolhido como um dos 10 livros da primeira década do século XXI pela revista Visão enquanto que Nenhum Olhar foi escolhido como um dos livros da década pelo jornal Expresso.

Em 2012, Peixote aventurou-se e publicou Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, a sua primeira incursão na literatura de viagens.

Uma das revelações mais surpreendentes da literatura portuguesa. É um homem que sabe escrever e que vai ser o continuador dos grande escritores“, foi o que disse o icónico José Saramago disse sobre o José Luís Peixoto.

João Tordo

fotografia de Nuno Sampaio durante as Correntes d'Escritas.

Gepostet von João Tordo am Samstag, 23. März 2019

João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. E foi também em Lisboa que se formou em Filosofia e onde trabalhou como jornalista para vários jornais, até chegar à conclusão que esta não era a sua área de eleição. De Lisboa foi viver para Londres e depois para os Estados Unidos.

Durante 28 anos escrevi sem nunca publicar. Escrevi para mim e o que escrevia ficava na gaveta… ou deitava fora“. Só aos 28 anos, quando vivia nos Estados Unidos, é que João Tordo teve coragem de pegar num rascunho e enviar a algumas editoras em Portugal. Um ano depois publicou o seu primeiro romance, numa altura que o autor lusófono considera como ter sido ideal, depois de ter tido tempo para “ter vivido”.

Em 2009, com o seu romance As Três Vidas venceu o Prémio Literário José Saramago e foi ainda finalista, com esse mesmo romance, do Prémio Portugal Telecom em 2011. O seu romance, O Bom Inverno foi ainda finalista do Prémio Melhor Livro de Ficção Narrativa da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2011 e do Prémio Namora, nesse mesmo ano.

A sua escrita levou-o a leitores de todo o mundo, por países como França, Itália, Alemanha, Hungria, ou Brasil. Romances como Anatomia dos Mártires, O Ano Sabático, Biografia Involuntária dos Amantes, O Paraíso segundo Lars D e Ensina-me a Voar sobre os Telhados, compõem o conjunto das suas obras. Neste mês de março, publicou o seu 12.º romance, A Mulher que Correu Atrás do Vento.

Há escritores que continuam a escrever como se não tivesse acontecido o século XX. A minha geração, literáriamente muito forte, abraçou o seu tempo. Mas somos todos diferentes na nossa maneira de abordar a literatura”, disse João Tordo numa entrevista à Visão.

Filipa Martins

Eleita uma figura de 2019 por Francisco José Viegas, hoje na imprensa. ‘O seu último romance é notável. Estejam atentos.’ ❤️

Gepostet von Filipa Martins am Sonntag, 6. Januar 2019

Alfacinha, nascida em 1983, Filipa Martins preza a sua liberdade acima de tudo e procura fazer de tudo um pouco. 2004 foi o ano em que começou a ser jornalista e isso coincidiu com o ano em que escreveu o seu primeiro romance Elogio do Passeio Público, tendo recebido o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores logo nesse mesmo ano.

Em 2009, publicou o seu segundo romance, Quanta Terra. Em 2014, o seu terceiro romance, Mustang Branco e depois o seu mais recente, no ano passado, Na Memória dos Rouxinóis.

Filipa Martins é uma escritora que não sabe “se queria viver da escrita,” que procura independência da literatura, emocional e financeira, talvez sendo por isso que, além de escritora é também argumentista, locutora e jornalista freelancer.

A autora olha para a literatura contemporânea em Portugal, pós 25 de abril, como virada para “revoluções interpessoais, e para sentimentos pós modernistas”. As suas obras refletem isso mesmo – o desafio das linearidades temáticas e temporais, assim como o enfrentar da língua portuguesa tal como ela é, sem ter medo “de largar um f***-se”.

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