Produzido pela HBO, o documentário Leaving Neverland conta a história dos alegados abusos sexuais de Michael Jackson a Wade Robson e James Safechuck.

Como fã da carreira do malogrado artista norte-americano, não pude deixar de assistir ao polémico documentário que traz novamente à praça pública as acusações de pedofilia a Michael Jackson.
Arranjei tempo e, por isso, dediquei parte deste último fim de semana a “mergulhar” no extenso documentário sobre os alegados abusos de Michael Jackson.
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Numa frase, Leaving Neverland é um relato impressionante com detalhes mórbidos. As quatro horas de duração, repartidas em dois episódios, são usadas para descrever, ao pormenor, os relacionamentos que os rapazes e as suas famílias tiveram com o rei da pop.
É impossível ficar indiferente. No entanto senti que houve falta de uma representação daquele que poderia ser o lado de Michael Jackson. Depois de refletir de forma ponderada, considero que o documentário, exibido pela HBO, é tendencioso, pois mostra apenas um lado da história.

“O homem no espelho”

Inconformado por essa falta de representação de uma perspetiva de Michael Jackson, decidi então fazer a minha pesquisa para tentar perceber quem eram Wade e o James. Assisti à entrevista com a Oprah e li alguns artigos que mostram as incongruências dos discursos, sobretudo do coreógrafo Wade Robson.
Sublinho algumas dessas irregularidades. Primeiro: o facto de Wade ter escrito um prefácio no livro The Official Michael Jackson Opus onde expressou profundo agradecimento ao artista norte-americano.
Segundo: ter sido confrontado por Jimmy Kimmel em 2003,  que lhe perguntou se alguma vez tinha sido vítima de abusos por parte de Michael Jackson, ao que Wade respondeu “não”. Há rumores também de que o coreógrafo, de forma anónima, vendeu roupa que Michael Jackson lhe deu quando este ainda era criança.
Se, de facto, existiram abusos sexuais de Michael Jackson, então Wade Robson mentiu em tribunal em 1993. Pergunto se o homem, agora com 36 anos, não poderá ser acusado de perjúrio?

“Deixem-me em paz”

Dito isto, apercebo-me que estou a escrever um texto a defender um alegado pedófilo. Pensar isso repugna-me e questiono-me se me deixei enfeitiçar pela dança Moonwalk de Michael Jackson.
É um assunto muito complexo e com várias ramificações que se expandem por várias décadas. Michael Jackson sempre foi polémico. Sempre foi um tipo estranho. Sempre foi um artista extravagante mas, mais que isso, sempre mostrou um lado inocente e até ingénuo perante os media.
No entanto, ninguém pode retirar o mérito da sua obra discográfica, dos seus espetáculos ao vivo e da sua ousadia de querer fazer sempre mais e melhor.
Pelos bons e maus motivos, Michael Jackson continua a dar que falar, mesmo quando passa uma década da sua morte. Os representantes do património do artista revelaram que vão processar a HBO em cerca de 88 milhões de euros.
A solução não passa por banir a música do rei da pop das rádios, porque nada pode apagar o legado musical que Michael Jackson deixou. No entanto, as repercussões deste documentário ainda estão longe de serem sentidas.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=crbFmpezO4A]