Os britânicos Toy regressaram a Lisboa para apresentar ao vivo as canções do novo disco Happy In The Hollow, no Estúdio Time Out.

Os Toy são um dos nomes do pós-rock do momento que surge de imediato à cabeça de todos. (Qualquer semelhança com o nosso Toy é puro devaneio). Mas o som deles – e a estética de alguns dos seus elementos – bebe igualmente no psicadélico. Ao quarto disco, maduro – como eles próprios – os Toy regressam aos palcos portugueses que tão bem conhecem. Já passaram por todos os “grandes” festivais e também já deram concertos em nome próprio. Não são, portanto, desconhecidos deste público, que não compareceu em força no Estúdio Time Out.

Mas não foi por isso que a entrega da banda de Brighton foi menor. O concerto iniciou-se com Jolt Awake, retirada do disco deste ano. Nele, mostram o tal ponto de maturidade com as suas curvas sinuosas pelos sons mais ou menos luminosos. Após I’m Still Believing – de Clear Shot, o anterior disco – Sequence One e Mistake a Stranger soaram no Mercado da Ribeira. Ora em modo mais krautrock, ora mais hipnóticos ou mais melódicos, os Toy foram mostrando a sua competência e solidez embalados pela voz de Tom Dougall.

Felizes na sua escuridão

You Make Me Forget Myself é talvez uma favorita deste novo disco. Nela, ganha terreno a voz do viajante no tempo Maxim Barron, baixista da banda, figura que emerge de uns anos 70 que nos parecem subitamente mais próximos. Motoring, carregada de sintetizadores é, por sua vez, uma viagem ao homónimo disco editado em 2012, e um dos momentos mais altos do concerto. Só superado, aliás, por Dead & Gone que incendiou o público absolutamente dedicado e entregue à energia emanada de palco.

A encerrar, Energy, em modo punk e mais urgente, foi uma excelente forma de terminar a tour. Bom, na verdade a banda haveria de voltar para um encore com Left Myself Behind, “temaço” de Toy. Este regresso ao disco de 2012 foi uma espécie de retorno às luminosas trevas dos britânicos. Ao quarto disco e depois de uma mão cheia de concertos, podemos afirmá-lo: são uma excelente banda de palco.

Fotos: Inês Guimarães