O festival Tremor, que se realizará entre 9 e 13 de abril, na ilha de S. Miguel, nos Açores, fechou agora o cartaz daquilo que vai ser a sua sexta edição. Como já é habitual, o festival apresenta um cartaz que vai além da música: os espectadores do Tremor poderão explorar a natureza e a comunidade da ilha, envolvendo-se num ambiente que, por si só, é único.

Hailu Mergia, Yin Yin e Fumaça Preta foram as confirmações que encetaram o cartaz. Za!, Rubén Monfort, que irá expor uma coleção de fotografias, Despensas de Rabo de Peixe, grupo folclórico composto exclusivamente por homens que tocam castanholas, e o colectivo ondamarela, que se junta à Escola de Música de Rabo de Peixe (escola de jazz) e à Associação de Surdos de São Miguel são as residências artísticas que este ano estarão em S. Miguel, juntamente com Renato Cruz Santos e Duarte Ferreira, que apresentarão Sístole, um grupo de instalações que vão fundir o visual e o sonoro, incorporando-os no ambiente da ilha.

Do cartaz destaca-se obviamente Jacco Gardner. O multi-instrumentista holandês não vinha a solo a Portugal desde 2016, mas apenas enquanto membro dos The Mauskovic Dance Band, que atuaram o ano passado no Milhões de Festa. Os Pop Dell’Arte apresentarão a extensa discografia, que conta com o álbum mais recente Contra Mundum, para uma legião de fãs que contribui para a consagração da banda enquanto banda de culto. Bulimundo vão representar Cabo Verde, sendo uma das principais bandas de funaná. The Sunflowers apresentarão o rock cru português.

O Tremor, contudo, oferece mais do que apenas o cartaz. Investindo em conceitos como os concertos surpresa – nos quais a comunidade da ilha de São Miguel desempenha um papel fulcral, tal como nos restantes – ou o Tremor-Todo-o-Terreno, – que consiste numa série de trilhos de caminhada com música personalizada – o Tremor renova a própria ideia de festival.

O Tremor é só mais uma prova de que, cada vez mais, os festivais têm de se superar, oferecendo conceitos que atravessam a música, sem esquecer nunca o seu papel central. O ecletismo do cartaz, bem como o cenário idílico e o sentido de pertença e comunidade que todos os que vão sentem criam aquilo que faz do Tremor um dos festivais com mais sentido em Portugal. Os bilhetes já estão à venda.