Foi a 12 de março que, há precisamente 30 anos, Tim Berners-Lee deu o primeiro passo para um dos projetos tecnológicos mais surpreendentes da história: a World Wide Web. Em dia de aniversário, o engenheiro britânico confessou estar preocupado com a “incidência e a propagação da desinformação”. 

Criada em 1989, a World Wide Web (mais conhecida por WWW ou, simplesmente, Web) é o termo técnico que designa o sistema de documentos em hipermédia, todos eles interligados e unidos naquilo a que hoje chamamos Internet. O sistema permite a partilha de textos, imagens, vídeos e sons, tudo por meio de endereços eletrónicos e navegadores como o Google Chrome, o Mozilla Firefox ou até o Internet Explorer.

Em 30 anos, a Web tem evoluído a olhos vistos. Desde os finais da década de 80 e até à atualidade, a Web penetrou culturas, quebrou barreiras e tornou-se um meio indispensável para a vida moderna. Calcula-se que a WWW seja utilizada por mais de metade da população mundial.

Tim Berners-Lee, o criador da World Wide Web, inventou inicialmente a rede com o intuito de facilitar a partilha de documentos de pesquisa entre cientistas do CERN, a Organização Europeia para a Investigação Nuclear, sediada na Suíça. Porém, rapidamente o projeto ganhou uma dimensão inesperada.

Esta terça-feira (12), em entrevista à rede britânica BBC, a mente por detrás da Web, mergulhou a fundo nos temas atuais que afetam a rede e confessou estar preocupado com um “futuro disfuncional“, num mundo onde os ataques cibernéticos, a divulgação de dados privados e a desinformação são cada vez mais comuns.

Embora a Web tenha criado oportunidades, dado voz a grupos marginalizados, e facilitado o nosso dia-a-dia, também criou oportunidades para charlatães, deu voz a quem quer espalhar ódio e facilitou todo o tipo de crimes,” confessou o engenheiro numa carta aberta que assinala a celebração do 30.º aniversário.

As fake news

Popularizado por Donald Trump, o termo fake news foi elevado ao seu expoente máximo com as redes sociais. A “desinformação” está, segundo Tim Berners-Lee, a tornar-se perigosa. Em 2017, aquando do 28.º aniversário da WWW, Tim Berners-Lee já se tinha pronunciado sobre o assunto, incentivando — na altura — um movimento de bloqueio das fake news, em grande parte pelas redes sociais como o Twitter ou o Facebook.

Todavia, é impossível separar a questão das notícias falsas e da carência de privacidade da WWW. Em 2018, descobriu-se que Cambridge Analytica — uma empresa de consultoria política — utilizou o Facebook como forma de extorquir dados pessoais a 87 milhões de utilizadores, de maneira a individualizar várias campanhas. No mesmo ano, o YouTube e o Twitter foram também responsáveis por divulgar dados falsos sobre os sobreviventes de Parkland, um tiroteio numa escola secundária dos Estados Unidos.

O contrato

O engenheiro britânico apresentou na mais recente edição da Web Summit, em Lisboa, uma campanha cujo o objetivo é levar os cidadãos, as empresas e os governos a estabelecerem princípios comuns sobre o mundo da web. A Google, Facebook, e outras mais de cinquenta empresas e organizações já assinaram o contrato. Países como a França ou a Alemanha também já carimbaram o acordo proposto por Tim Berners-Lee, que deverá ser oficialmente divulgado em maio deste ano.

“Os governos têm de adaptar as leis e regulações ao mundo digital”, escreveu Berners-Lee. “E as empresas têm de fazer mais para garantir que os seus lucros não surgem à custa dos direitos humanos, da democracia, dos factos científicos ou da segurança pública”.

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