No último dia de ModaLisboa Insight, a aliança entre a associação de moda da capital portuguesa e o Portugal Fashion voltou ao Pavilhão Carlos Lopes, desta vez representada pela marca Nycole.

Tânia Nicole é uma mulher do norte, mas a sua carreira dividiu-se entre as cidades do Porto e Lisboa. Teve o inicio da sua formação na capital mas foi no norte que se licenciou e que concluiu o mestrado em Produto-Moda, na ESAD Matosinhos. Depois regressou à zona central do país para participar no concurso Sangue Novo, em 2015.

A designer falou com o Espalha-Factos sobre as transições entre as duas organizações de moda nacional, o conceito que guia a marca Nycole e a diversidade que se vive atualmente na industria do design de moda.

Espalha-Factos: Apesar de estar agora associada ao projeto Portugal Fashion, a sua principal rampa de lançamento foi na ModaLisboa, através do concurso Sangue Novo. Como se deu essa transição?

Nycole: Esta transição foi mais por uma questão de logística, porque eu sou do Porto e tenho a marca lá. Fiz uma paragem depois do Sangue Novo, depois quando voltei a apresentar voltei pelo Portugal Fashion. Mas é sempre bom voltar, já tinha saudades! Apesar de já não estar habituada a fazer assim as malas e ter de vir, foi giro voltar!

EF: Sente que os eventos se diferenciam muito entre si? Porque?

N: Eu agora não tenho vindo muito cá, e nós, quando estamos dentro disto, acabamos por perder um pouco essa noção. Lembro-me que aqui se trabalha muito bem a parte de imprensa, acabam por conseguir ter muita press. O Portugal Fashion acaba por investir muito mais na parte empresarial, de conseguir colocar as coleções em showrooms, feiras, etc.

EF: Na eventualidade desta parceria entre ModaLisboa e Portugal Fashion ir mais longe e poder escolher um designer para realizar uma colaboração, por quem optaria?

N: Ricardo Andrez.

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EF: Porquê?

N: Porque foi meu professor (risos), porque me identifico e apesar de eu às vezes me conter um bocadinho, ele consegue extravasar um bocadinho mais que eu. Acho que ia ser um desafio interessante poder sair mais da minha zona de conforto e arriscar um bocadinho mais.

EF: A marca Nycole é uma marca de Menswear. Porque esta opção pelo mercado masculino?

N: Primeiro porque o mercado de mulher está muito explorado, já há muitas marcas, por exemplo para entrar nos showrooms lá fora é mais complicado porque está tudo muito cheio. E depois porque acho que me consigo abstrair um bocadinho, ser um bocadinho mais aberta criativamente e não me meto no lugar de consumidora. Isto porque às vezes há coisas que na minha coleção que eu acho que até vai vender menos e depois é o que vende mais. Em mulher eu acabaria porque dizer “eu não compraria isto portanto não vou fazer”. Em homem isso não me acontece.EF: Tendo em conta que os traços que distinguem roupa para homem e roupa para mulher são cada vez menos visíveis, acha que continua a existir uma grande diferença entre dedicar-se a uma vertente específica?

N: Eu até meti uma menina no meio do desfile mesmo para contrastar e dar a entender que as peças podem ser utilizadas por todos. Cada vez mais está tudo misturado e não só nesse aspeto. A marca tinha muita misturas entre parte clássica, desportiva, streetwear. E claro, a parte dos géneros… Acho que a minha marca acaba por ser um bocadinho unissexo, eu tenho muitas meninas a dizer-me que vestiam quase tudo. A única diferença está talvez, por exemplo, na parte da camisaria em que os moldes acabam por ser um pouco diferentes e aí teriam de ser feitos ajustes para mulher – a não ser que ela goste de roupa larga. Mas de resto, as sweats, t-shirts, mesmo casacos – principalmente agora com a moda oversized – acaba por funcionar para ambos os sexos.