A Associação Feminista Capazes apelou, na sua página do Facebook, a um boicote aos novos reality shows da SIC e TVI.

Os dois programas, estreados dois dias depois do Dia Internacional da Mulher ser assinalado, têm algumas semelhanças. A aposta da SIC, “Quem Quer Namorar Com o Agricultor?”, apresenta concorrentes que, para conquistarem o agricultor em questão, têm que realizar determinadas provas relacionadas com agricultura.

Já em Quem Quer Casar com o Meu Filho?“, aposta da TVI, são apresentados cinco homens que procuram a sua cara metade entre várias pretendentes, mas sempre com a opinião e supervisão das suas mães, que têm como função aconselhar e orientar os filhos nas suas decisões.

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Na publicação, a Associação refere-se aos programas como dois formatos absolutamente degradantes para as mulheres, competindo pelo macho Alfa… sujeitando-se às maiores humilhações”. Terminam associando machismo e sexismo aos programas, sugerindo as hastags #boicoteaosdomingos e #eunaovejo.

A Associação Capazes aproveitou também para, no seu site oficial, publicar uma crónica de Catarina Corvo, que enumera os requisitos para ser “bem-sucedida” em qualquer um dos programas e apresenta as candidatas como “peças encomendadas”. Estas sujeitam-se a critérios de aprovação para poderem chamar a atenção e merecer o concorrente em questão. Catarina questiona ainda os valores da SIC, que parecem ter sido vendidos “para vir agora promover um formato que representa o total oposto do que defendia [a SIC]”.

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As reações

“Quem Quer Namorar Com o Agricultor?” e “Quem Quer Casar com o Meu Filho?” geraram reações também por parte de meios de comunicação como o Público e o Diário de Notícias.

André Lamas Leite (Público) comenta que o programa da TVI apresenta concorrentes que são “uma espécie de figurantes pagos, bem como as donzelas que… iam passando, uma a uma, perante os olhos inquisidores das mães dos pequenos”. Mas não fica por aí, “atacando” as mães, que lhe provocam admiração por terem “uma mentalidade tão machista”.

No DN, Rute Agulhas confessa que ficou com a ideia de “Um mercado em que se vende mercadoria, que é exposta, analisada e escrutinada até onde for possível” ao ver os programas. Afirma também que estes colocam em causa toda a luta pela defesa da igualdade e direitos das mulheres.

A propósito destes programas, a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) recebeu queixas que os acusam de preconceitos contra as mulheres e determinadas classes sociais.

Também em redes sociais como o Twitter, a indignação é visível. Os comentários abordam a objetificação da mulher e a existência de uma escolha e de pré-requisitos (como ser “boa dona de casa”).