Nós, o novo filme de terror realizado por Jordan Peele, teve a sua estreia mundial na passada sexta-feira (8),  no Festival  South by Southwest: SXSW, contando com uma receção, sem dúvida, calorosa. A sessão do filme em Austin, no estado do Texas, foi dominada por um intenso misto de emoções, que se estendeu desde o medo às gargalhadas.

Várias celebridades e importantes figuras do cinema como Jeffrey Katzenberg, Shia LaBeouf, Nick Kroll e Elijah Wood estiveram presentes na estreia desta “fresca combinação de Funny Games, Hitchcock, Cronenberg, Bradbury”, nas palavras de Eric Kohn, crítico para a plataforma Indie Wire.

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Jordan Peele e Lupita Nyong’o na passadeira vermelha do Festival SXSW. Fonte: Getty Images

Se o positivo feedback do festival se revelar representativo, naturalmente, as questões adensam-se. De onde provém a aterradora visão contemporânea de Jordan Peele? Será que Nós terá o mesmo tom cómico e figurativo do aclamado thriller Foge ? O realizador fez questão de abordar estas pequenas nuances, numa sessão de perguntas e respostas depois do evento.

Quando questionado relativamente à forma inovadora como perspetiva o terror, Peele afirma que tudo não passa de um grande paradoxo entre o espontâneo e o racional:

“O meu processo criativo é um diálogo entre as minhas entranhas e a minha mente. Inicialmente, o que acontece é começar com algo que esteja a sentir, quer seja um sonho, algum sentimento dominante ou, simplesmente, medo. […] É um diálogo comigo mesmo. Não saberia dizer o que aparece primeiro. Será o lugar? O tema? Referências à Bíblia, a filmes ou a outras coisas? É algo muito fluido e analítico ao mesmo tempo”.

O contrabalançar do humor com a crítica social não é algo estranho ao realizador. Nós seguirá este mesmo molde, afirmando-se como uma curiosa metáfora do atual panorama político que se vive nos Estados Unidos.

“O filme é sobre este país”, revelou Peele. “Quando decidi escrever o filme tive a consciência de que vivemos numa época em que tememos os outros: quer seja o invasor misterioso que aparecerá para nos matar e roubar os nossos trabalhos ou a fação que votou de forma diferente de nós. Apontamos sempre o dedo e eu queria sugerir que, se calhar, o monstro para o qual precisamos de olhar é a nossa cara. Talvez o mal sejamos nós”.

Fonte: Universal Pictures / Divulgação

Nós narra a história de Adeleide Wilson (Lupita Nyong’o), que decide embarcar numa escapadela junto ao mar com a sua família. Após uma série de estranhas coincidências, a paranoia persegue Adeleide, assombrada pelo trauma e pela premente sensação de algo terrível prestes a acontecer. As suas piores suspeitas confirmam-se quando numa tarde, de regresso à casa de férias, se deparam com um assustador e peculiar inimigo: eles próprios.

O filme foi anteriormente apresentado num conjunto de sessões reservadas à comunidade afro-americana no mundo das artes. A iniciativa, denominada de #UsFirst, reforçou a necessidade de uma maior pluralidade de vozes na indústria cinematográfica, tendo sido muito comentada nas redes sociais.

John Legend, Janelle Monae e Ryan Coogler são apenas algumas das figuras públicas que compareceram às exibições, mostrando o seu apoio pelo projeto.

Nós chega a 21 de março às salas de cinema portuguesas.