O terceiro dia de ModaLisboa recebeu um número maior de seguidores da indústria. Apesar dos atrasos dos desfiles, que se foram prolongando durante a tarde e atingiram o pico de 1 hora ao cair da noite, ninguém deixou de assistir ao auge do segundo dia de desfiles – a apresentação de Luís Carvalho. A afluência à sala de desfiles e a grande ovação final dirigida ao estilista comprovaram que o designer é um dos maiores nomes do evento e uma grande promessa da moda nacional.

Licenciado em Design de Moda e têxtil no Instituto Politécnico de Castelo Branco, Luís Carvalho já trabalhou em nome de outras casas e, depois de criar a marca homónima, foi professor e distinguido com vários prémios, nos quais se incluem um globo de ouro de melhor estilista. Mas, em conversa com o Espalha-Factos, o designer de Vizela confessa que ainda nem tudo foi conquistado.

Espalha-Factos: Na descrição da sua coleção explica que o seu trabalho faz referência a alguns dos trabalhos do artista digital Matthieu Bourel. Como se deparou com este artista e o que o motivou a escolhe-lo como principal fonte de inspiração?

Luís Carvalho: Escolhi porque aprecio o trabalho dele, acho que é um trabalho muito interessante. Esta inspiração dava quase para criar duas coleções porque podia ter duas vertentes diferente. Foi fácil porque permitiu-me trabalhar as peças e os detalhes das peças de uma maneira que eu já gosto de fazer – através da desconstrução. Mas também com a criação de camadas, o uso de linhas mais orgânicas…

EF: Em 2013 criou a marca Luís Carvalho e agora, passados 6 anos, é um dos nomes mais fortes da ModaLisboa. Quais foram as ferramentas que utilizou para criar este caminho que considera fundamentais?

LC: Muito trabalho e saber qual o caminho a seguir. Pensar, ser muito ponderado e perceber quais os passos que tenho de dar para não dispersar.

EF: Durante o seu crescimento enquanto designer, que outros designers o inspiraram e foram importantes para o seu crescimento

LC: Em Portugal, sem dúvida, o Filipe Faisca – com quem trabalhei. Tenho mesmo uma grande admiração por ele. E também o Luís Buchinho.

EF: E a nível internacional?

LC: O Raf Simons, da Dior.

EF: A marca Luís Carvalho é cada vez mais associada a grandes eventos nacionais, como os globos de ouro ou o festival da canção, e também a figuras públicas. Esse é um espaço que considera fundamental para uma maior aproximação do público generalista e das camadas mais jovens?

LC: Claro! É super importante porque é a maneira mais fácil de fazer chegar o meu trabalho às pessoas. É por isso que eu invisto nisso, e também porque me dá gosto fazer esse trabalho.

LÊ TAMBÉM: 6 BRUNCHES VEGETARIANOS QUE VAIS QUERER PROVAR EM LISBOA E NO PORTO
EF: E tem sentido essa recetividade?

LC: Sim, acho que isso ajudou muito a que a marca chegasse onde está hoje.

EF: Nos últimos dias a marca tem sido bastante associada ao festival da canção, nomeadamente a Conan Osíris. Têm planeado alguma coisa para a apresentação em Tel Aviv?

LC: Ainda não é certo que seja eu a fazer, mas existe a possibilidade como é óbvio.

EF: O Luís passou de trabalhar para outras marcas para criar o seu próprio nome, está na ModaLisboa desde 2013, já leccionou, já ganhou vários prémios, incluindo um globo de ouro. Quais são as principais metas que pretende, agora, atingir?

LC: A internacionalização e aumentar o volume de vendas – já estou a trabalhar nisso. A meta ,no fundo, é sempre a mesma- crescer.