O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, em pareceria com o Museo Guggenheim Bilbao e a Kunsthall Rotterdam, apresentam I’m Your Mirror, de Joana Vasconcelos. A nova exposição da artista estará patente na cidade Invicta até ao dia 24 de junho e é comissariada por Enrique Juncosa.

O ponto de partida para a exposição de Joana Vasconcelos são duas mostras de arte – em Nova Iorque e Paris – onde se exploravam as temáticas High&Low, Modern Art and Popular CultureArt et Publicité. O objetivo destas exposições, assim como de todo o trabalho de Joana Vasconcelos, seria o de (re)conectar a arte com a vida real.

O SIGNIFICADO: SERÁ UMA QUESTÃO CENTRAL?

Desta forma, a artista traz até ao público um dicionário de referências que fazem parte do imaginário e da cultura popular portuguesa. A frequente utilização de bordados, de cerâmicas populares, o redesign de ícones portugueses como o coração de Viana ou o galo de Barcelos, já se tornaram na sua imagem de marca.
O título da exposição – que surge como homenagem à canção de Nico & The Velvet Underground – é o reflexo do momento em que é criada. Simultaneamente é também um desafio à exploração de temas-chave da sociedade contemporânea, como as desigualdades sociais e culturais, a condição da mulher, a violência ou a emigração.
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Esta vontade de mudar a sociedade através da arte é espelhada nas mais de trinta obras – produzidas desde 1977 até à atualidade – e onde podemos observar: Cama Valium (1998); Burka (2002); A Noiva (2001–05); Coração Independente Vermelho (2005); Marilyn (2011) ou Lilicoptère (2012). A estas peças icónicas juntam-se também novas obras, como os animais de cerâmica Rafael Bordalo Pinheiro revestidos com bordados. As peças estendem-se também até aos jardins da Fundação.
Nesta exposição acolhida por Serralves podemos continuar a observar a forma como a artista trabalha com as escalas, com o feminino e com a sátira, uma constante em bastantes das suas obras.
O discurso que é produzido pela obra de Joana Vasconcelos segue uma “tradição analítica da arte” que passou por Duchamp, Jeff Koons, Jasper Johns ou Andy Warhol. O seu objetivo? Procurar objetos e coisas do quotidiano e conferir-lhes um estatuto que até ao momento não tinham.
Na sua vasta obra podemos ver espelhados temas tão distintos como: o papel da mulher na sociedade e nas artes, a cultura portuguesa e a leitura do público sobre a mesma, a tensão entre artesanato e tecnologia, a relação entre poética e política, a inserção de obras em espaço público, as questões de identidade, a participação e receção das obras ou ainda, as referências obtidas através da História da Arte.
No âmbito desta exposição de Joana Vasconcelos na Fundação de Serralves Serralves, estão também planeados debates, visitas guiadas e workshops em torno das peças ou das temáticas nelas trabalhadas.