Quiseram libertar-se da categorização que o seu próprio nome indiciava. Assim, compuseram o álbum NU e apresentaram-no no passado dia 7 de março, no Estúdio TimeOut. Todavia, a vibração só se sentiu, quando movida pela saudade que o som das guitarras ofereciam. Com o renascimento dos First Breath After Coma, a identidade perdeu-se: NU apresentou-se, mas não houve choros, numa sonoridade demasiado sofisticada para ser catártica.

O som

Tal como a capa do álbum que nos iria ser exibido, quiseram criar-nos um labirinto. Ligeiramente atrasados, sobem ao palco com ‘The Upsetters’ e, ao surgirem mais músicas do mais recente álbum da banda de Leiria, a confusão surge. ‘Howling for a change’  mostra um digital em plano pormenor que, revelado, não aquece qualquer coração humano. As vozes em vocoder e a orquestra de teclados digitais inquietam-nos com tanto artificialismo. Em suma, perdemo-nos no embaraço de músicas que somente puderam promover o ombroencolhidismo do público lisboeta.

A fúria

Embora NU seja um registo demasiado coberto para o título, a banda conseguiu ainda apresentar certas canções despidas. Houve tempo para Drifter, álbum antecessor, mostrar tudo aquilo que a banda tem de bom: de alma e coração, ‘Tierra del Fuego: Nisshin Maru’ foi tocada com toda a deidade que a música da banda, antigamente nos oferecia — nos tempos em que todo o Universo parecia cantar-nos a sua solidão, a partir das guitarras dos First Breath After Coma.

Nos famosos momentos de encore (três, neste concerto), encontramos duas pérolas: Feathers and Wax, com um instrumental Gallantiano, que, excecionalmente, ainda que faça parte do último registo da banda, soa melhor ao vivo que gravado; Blup, canção que encerra um concerto de mais de uma hora-um hino aos velhos tempos que ainda ressoa nas nossas cabeças.

Qualquer que seja o caminho trilhado não existe sem obstáculos. NU é um obstáculo e o público do TimeOut demonstrou-o. Contudo, quem percorre este caminho não são uns portugueses quaisquer. Sabendo isso, aguardamos até que voltem a evidenciar o nome que perderam neste concerto para nunca mais o perder. Isto é, o de uma das melhores bandas nacionais.

Fotografia: Inês Guimarães