Uma das formas estruturais de machismo é a ocultação e invisibilidade, que apagou da narrativa humana uma extensa lista de artistas, filósofas e “atrizes” sociais. Mas porque também as houve (e há), hoje relembramos algumas das bailarinas e atrizes que marcaram palcos um pouco por todo o mundo, deixando-nos um legado não só de talento, mas, em última instância, de emancipação.

Na Dança

Nasceu no final do século XIX e ainda hoje o seu legado está presente no ballet. Agripina Vaganova (1879-1951), bailarina e professora russa, revolucionou o método de ensino de ballet. Estudou na Escola Imperial de Ballet de São Petersburgo, dançou pela companhia profissional da mesma e, mais tarde, decidou-se ao ensino, criando um método caracterizado por movimentos precisos, suaves e harmoniosos e que é ensinado até hoje como Método Vaganova.

Agripina Vaganova

Agripina Vaganova

Já no século XX, em Cuba, nasce Alicia Alonso (Havana, 1921). Começou a estudar ballet com onze anos na Sociedade Pró-Arte Musical, em Havana, e formou-se na School of American Ballet, em Nova Iorque. Aos quinze anos casa-se com Fernando Alonso, também bailarino, e juntos regressam a Cuba para criar o Ballet Nacional de Cuba. Apesar da perda de visibilidade, continuou a dançar durante muitos anos e ainda hoje dirige a sua Companhia Cubana.

Alicia Alonso

Continuamos a percorrer o século XX, desta vez mais a sul, rumo ao Brasil. Foi no Rio de Janeiro que nasceu Ana Botafogo, no final dos anos 50. Começou a dançar com apenas seis anos e poucos anos mais tarde já atuava no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. No entanto, foi em França que inicou a sua carreira profissional. Marcou presença em festivais por toda a Europa, viveu em Londres e, por fim, regressou ao Brasil, onde se tornou Primeira Bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Depois de uma carreira repleta de prémios, homenagens e projetos pelo Brasil, Ana Botafogo consolidou-se como o maior nome do ballet clássico brasileiro.

Ana Botafogo

Incontornável é também Martha Graham (1894-1991), bailarina estadunidense ou “mãe” da dança moderna. Fundou a Martha Graham Dance Company e revolucionou de forma única a dança do século XX. Desejava desvendar a alma humana, afirmava que “o corpo diz aquilo que as palavras não podem dizer” e, dessa junção, surgiu uma nova forma de movimento, uma forma de dança mais livre e próxima da realidade da condição humana, com foco na expressão de sentimentos.

Martha Graham

Por fim, aquela que foi a primeira mulher americana africana a ser elevada a Primeira Bailarina na História da American Ballet Theatre (ABT): Misty Copeland. Só aos treze anos começou a dançar mas rapidamente o seu talento foi reconhecido. Em 2001 entrou oficialmente para o corpo de bailarinas da ABT, onde se mantém até hoje. Mas, para tal, teve de vencer a vontade da sua mãe de que desistisse do ballet e lutar pela sua emancipação.

Misty Copeland

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No teatro

Começou a sua carreira em 1957 na Old Vic Company e nunca mais saiu de cena. Judith Dench entrou, aos treze anos, para a The Mount School , formou-se na Central School of Speech and Drama e estreou-se como Ophelia, em Hamlet. Judith foi considerada pela revista The Stage como a maior atriz de teatro de todos os tempos e, em 1996, foi a primeira atriz galardoada com o Prémio Olivier.

Judi Dench

Apesar de ter maior projeção no Cinema, Meryl Steep começou a sua carreira na Broadway. Estreou-se, em 1975, como Imogen em Trelawny of the Wells e. desde então, participou em mais de trinta peças, inclusivé no teatro da Universidade de Yale que frequentou ou no teatro do Vassar College (a primeira universidade laica exclusivamenta para mulheres, nos Estados Unidos). Atualmente, é tida como uma das mais importantes atrizes modernas.

Meryl Streep em ‘Trelawny of the Wells’

Regressamos ao início do século XX para recordar a atriz que mais Óscares venceu até hoje: Katharine Hepburn (1907-2003). A “primeira dama do cinema” abandonou os estudos no Bryn Mawr College para perseguir a representação. Antes de rumar a Hollywood, trabalhou com sucesso durante quatro anos na Broadway. No cinema, chegou a ser apelidada de “veneno de bilheteira” e o seu sucesso só escalou na segunda metade da sua carreira de mais de sessenta anos, graças a produções de Shakespeare e papéis interpretando mulheres de meia idade.

Katharine Hepburn

Nascida na Índia (quando ainda era território britânico), Vivien Leigh (1013-1967) marcou principalmente o teatro. Interpretou uma grande de variedade de papéis, desde personagens shakesperianas, a heroínas de comédias, sendo que em 1963 chegou a ganhar um Tony Award pelo seu papel na comédia musical Tovarich. No entanto, as suas pontuais participações no cinema valeram-lhe dois Óscares, graças a E o Vento Levou e Uma Rua Chamada Pecado. 

Vivien Leigh em ‘E o Vento Levou’

Estreou-se na Broadway em 1951 com Gigi e três anos mais tarde venceu um Tony pela peça Ondina. Audrey Hepburn (1929-1993) é considerada a terceira maior lenda do cinema americano (protagonizando filmes de sucesso como é o caso de Breakfast at Tiffany’s, 1961). Ainda assim, foram várias as suas participações nos palcos, essencialmente até aos anos 50. Além de um nome incontornável da representação, Audrey dedicou-se ao apoio humanitário nos seus últimos anos de vida, sendo nomeada Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF.

Audrey Hepburn

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