Após os escândalos sexuais do ano passado (2018), a Academia Sueca regressa para a atribuição do Nobel da Literatura. Pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, o supremo prémio da escrita não foi atribuído e, por isso mesmo, este ano serão escolhidos ineditamente dois vencedores.

Jean – Claude Arnaut foi o protagonista da polémica que levou à não atribuição do prémio. Marido de um dos membros da academia, dramaturgo e fotógrafo, o francês foi acusado de ter assediado sexualmente 18 mulheres e ter divulgado antes do tempo, nomes de escritores que viriam a vencer o Nobel em anos anteriores. Foi posteriormente condenado a dois anos de prisão efetiva pelo crime de violação.

As polémicas, e o facto de alguns dos membros da Academia sueca se terem demitido, foram factores determinantes que levaram a academia a não entregar o prémio em 2018 a nenhum escritor, algo inédito na sua história.

A academia tenta redimir-se

A juntar-se ao painel de cinco membros do júri responsável pela escolha dos escritores anualmente, foram escolhidos cinco especialistas independentes, que vão desde críticos literários a autores. Desta forma, a academia faz um esforço para a restauração da confiança com o público e da sua própria reputação.

No entanto, apesar dos esforços, nem todos concordam com a decisão da academia. Uma das vozes discordantes é Björn Wiman, editor de Cultura do jornal sueco Dagens Nyheter. Em entrevista ao New York Times, o editor avançou que o prémio de 2018 deveria ser deixado por entregar: “seria uma lembrança daquilo que aconteceu e da maneira catastrófica como a academia lidou com as alegações”.

A cerimónia está apenas planeada para outubro mas promete surpreender, segundo o jornal americano. Resta-nos esperar.

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