O fado, hoje considerado Património Cultural Imaterial da Humanidade, nem sempre foi valorizado e enaltecido. Alberto Franco leva o leitor numa viagem até ao passado e conta, em As Guerras do Fado, a história da “canção nacional”.

Os ódios e os amores, a censura e a consagração

Alberto Franco, jornalista, autor e letrista de fado, presenteia o leitor com um livro repleto de curiosidades, onde são descritos os ódios e os amores que o “canto da Severa” suscitou ao longo da história.

As Guerras do Fado

Fonte: Wook

O nobre cântico português já foi outrora vítima de ataques, pouco depois do seu aparecimento. Alguns intelectuais associavam-no ao crime e achavam-no “mórbido, lutuoso e indigno duma nação civilizada”.

Para que este género musical se tornasse consagrado, os seus amantes passaram “as passas do Algarve”. O fado foi no passado censurado pela sua irreverência e desrespeitado pelos bons costumes.

As curiosidades do fado

O fado foi confundido com propaganda do Estado Novo. Os movimentos antifascistas viam o fado como um instrumento de ditadura associado a três “efes”: Fátima, futebol e fado.

E Salazar? Salazar gostava de fado? Não.

O fado era de tal forma odiado e descredibilizado que foi acusado, pelo médico Samuel Maia, de fazer mal ao fígado.

Nem mesmo Amália Rodrigues reuniu consenso. A fadista foi criticada por entoar versos de Luis Vaz de Camões.

Amália Rodrigues

Amália Rodrigues / Fonte: YouTube

Eça de Queiroz era um apreciador de fado? Não. A verdade é que o escritor não escondeu a sua rejeição à canção popular e numa crónica publicada em 1867, na Gazeta de Portugal, disse que o fado não passava de uma comédia encenada “no hospital e na enxovia”.

“As Guerras do Fado”

O livro de Alberto Franco, publicado pela Guerra e Paz com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores, chega dia 6 de março às livrarias e promete confirmar a frase de Fernando Pessoa, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

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