A equipa de música do Espalha-Factos selecionou os temas que te darão energia neste Carnaval, seja na pista de dança do Maracanã, numa ruela do Porto, ou no teu quarto — tudo é local para dar corda aos sapatos, no melhor sentido possível da expressão. Há de tudo, do samba mais tradicional até ao moderno fulgor eletrónico, passando pelo menos ortodoxo, até acabarmos numa nota de pura felicidade. Vamos dançar sem restrições.

‘Bom Dia, Portela’ — Elza Soares

Certo é que o ícone da música brasileira fez a transição recente para uma sonoridade mais nua, gritante e libidinosa; foi o monumental disco A Mulher do Fim do Mundo, que radica num samba-rock orgulhosamente sujo, que lhe deu um fôlego renovado. Mas o seu estatuto, adquirido primeiramente na década de 1960, veio com o seu sucesso enquanto voz desse som típico do Rio: o samba despido dessa sujidade, apoiado unicamente no êxtase vocal de Elza e na força dos arranjos. Não há melhor súmula dessa fórmula do que o seu álbum homónimo de 1974, cuja abertura Bom Dia, Portela é um manifesto otimista, de pulso desregrado. “Meu destino é quem diz, / pois a felicidade é difícil de achar“, lembra Elza, sorrindo e dançando em superação de uma dor passada. O Carnaval também pode ser sinónimo de catarse — desde que, claro está, se dance. PJS

Disco Yes‘ — Tom Misch

Geography foi, talvez, um dos álbuns mais mexidos de 2018. Com uma facilidade quase inimaginável, Tom Misch lidera e aponta o ritmo que dança. E não são precisas mais palavras para definir o que esta música transmite. Disco? Yes. BDM

Happy Man‘ — Jungle

 
Impossível não bater o pé, abanar a anca, soltar os braços, até a mente. Os britânicos Jungle são os porta-estandarte da soul moderna e, como tal, reis de qualquer pista de dança. Sensualidade a rodos, ritmo contagiante, corpo liberto. Dancemos! ACS
 

Afro-Xula‘ – B Fachada

 
A morena vai conseguir pôr a gente a mexer” e o B Fachada também é responsável por isso. A melodia divertida, os beats africanos e a boa dose de influência portuguesa que representam o músico português impedem-nos de ficar parados. Recomenda-se para ancas que gostam de uma boa ginga. BP
 

Blood On The Leaves‘ — Kanye West

 
É difícil colocar num pedestal um só momento de Yeezus, o álbum mais polarizador de Kanye. No entanto, Blood On The Leaves impossivelmente passa despercebida com a sua explosão de energia. Kanye invoca a atmosfera envolvente de Nina Simone (Strange Fruit) e conjuga com uma explosão de energia conseguida com a transformação bombástica de uma outra canção, R U Ready de TNGHT. NS

E Si Propi‘ — Fogo Fogo

Carnaval rima com pessoal. É uma festa de folia e por isso os ritmos quentes dos Fogo Fogo assentam que nem uma luva para que o ambiente fique propício para dançar. O funaná é a palavra de ordem e é impossível ficar indíferente à musicalidade deste grupo, que desde 2015 tem editado material. No ano passado, lançaram um álbum exclusivamente em vinil chamado Nha Cutelo, com grooves suficientes para aguentarmos até ao próximo Carnaval. JP

‘Ordinary Pleasure’ – Toro Y Moi

Toro Y Moi oferece-nos aquelas canções que colocam bichos carpinteiros por todo o nosso corpo. Ordinary Pleasure não tem o toque latino a que estamos acostumados quando falamos em Carnaval, de facto. No entanto, qualquer música que nos ponha a mexer pode e deve ser utilizada como marcador de passos em épocas festivas. Os ritmos funky e as letras catchy nunca fizeram mal a ninguém. CR

Escolhas de Alexandra Correia Silva, Bárbara Pereira, Bernardo de Melo, João Pardal, Nuno Santos, Pedro João Santos e Carlota Real.