Chegou o Carnaval, uma das alturas mais festivas do ano. Um dos países mais associados com esta festa, talvez mesmo o mais associado, é o Brasil. Mas como este país não se resume só a desfiles e disfarces, o Espalha-Factos decidiu pensar num conjunto de filmes brasileiros que deves mesmo ver.

O Auto da Compadecida, Guel Arraes (2000)

Fonte: Reprodução/Divulgação

Baseado na peça teatral O Auto da Compadecida de Ariano Suassuna e com elementos de O Santo e a Porca e Torturas do Coração do mesmo autor, a comédia dramática se desenvolve à volta das peripécias de João Grilo (Matheus Nachtergale) e Chicó (Selton Mello). Passado no Sertão Nordestino brasileiro, a trama chega ao clímax quando a dupla aplica um dos seus golpes ao temido cangaceiro Severino de Aracaju (Marco Nanini).
Para além de arrancar várias gargalhadas, o filme também é uma lição interessante sobre a cultura brasileira, mais especificamente a nordestina.

Cidade de Deus, Fernando Meirelles e Kátia Lund (correalizadora) (2002)

Fonte: Globo Filmes

Em qualquer aula de cinema contemporâneo ou lista de melhores filmes não-americanos se vai ouvir falar deste Cidade de Deus (2002). Com 4 nomeações a Oscar (Melhores Realizador, Argumento Adaptado, Cinematografia e Edição), este drama brasileiro conta-nos a história entrelaçada de Buscapé (Alexandre Rodrigues) e Zé Pequeno (Leandro Firmino) na favela. Enquanto um ascende pelo bom caminho à profissão de fotojornalista, o outro vai entrando pelo mundo da noite, com drogas e violência à mistura.
Cidade de Deus é certamente imperdível para quem faz parte do mundo lusófono, mas de imediato virou clássico pelo globo fora para provocar arrepios a quem não deixou passar a obra de Fernando Meirelles [O Fiel Jardineiro (2005)] despercebida.

Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida, Matheus Sousa (2013)

Fonte: Divulgação/Vitrine Filmes

A dramedy protagonizada pela cantora e ex-Porta dos Fundos, Clarice Falcão, tem como tema principal a indecisão adolescente e a transição da adolescência para a vida adulta. Clara (Clarice Falcão) estuda Medicina, não por vocação mas por pressão dos pais. Em vez de ir às aulas, passa as suas manhãs num pavilhão de bowling, onde conhece um rapaz (Rodrigo Pandolfo) que a ajuda a dar um sentido à sua vida. Um filme melancólico que reconforta: não somos os únicos a não fazer a mínima ideia do que estamos a fazer com a vida.
O filme foi realizado apenas com o dinheiro de bolso de Matheus Sousa e foi muito bem recebido pela crítica brasileira.

Como Nossos Pais, Laís Bondanzky (2017)

Fonte: Globo Filmes

Como Nossos Pais, da realizadora Laís Bondanzky, conta a história de Rosa (Maria Ribeiro), uma mulher infeliz que vive a vida em piloto automático, entre o trabalho, o casamento consternado e as duas filhas. Tal como a música de Elis Regina, o filme retrata a vida monótona de uma mulher que, apesar de jurar que nunca seria igual aos seus pais, acabar por, devagarinho, tornar-se como eles. Rosa, filha de pais divorciados, descobre um segredo de família que a faz repensar a sua vida.

Como Nossos Pais é um filme extremamente cru, que retrata problemas da vida real com belíssimas interpretações de Paulo Vilhena, Jorge Mautner e Clarisse Abumajara.

Redatores que participaram na elaboração do texto: Kenia Sampaio Nunes  e Miguel Mesquita Montes.