Num sábado marcado por shares baixos nos canais generalistas, o Festival da Canção 2019 sofreu com a concorrência do FC Porto x Benfica e perdeu cerca de 300 mil espectadores face a 2018. A final do Festival foi vista em média por 610 mil pessoas, correspondentes a 6,3% de audiência e 15,8% de share, o que lhe valeu um décimo lugar no top de programas.

Há um ano, a vitória de Cláudia Pascoal foi vista por uma média de 912 mil espectadores (9,4% / 22,1%). Também em 2017 a audiência foi superior, com 684 mil espectadores (7,1% / 17,9%) a assistir à vitória de Salvador Sobral.

Recuando a outras finais do Festival da Canção, o valor deste ano bateu o mínimo histórico da edição de 2001, que se ficou pelos 6,4% de audiência e 17,2% de share. Recorde-se que a final desse ano foi a única a não ser transmitida em direto, devido à tragédia de Entre-os-Rios.

A transferência do Festival da Canção de domingo para sábado, um dia com menor consumo televisivo e maior peso do cabo, também pode explicar a quebra. A final do evento manteve praticamente a mesma audiências das duas semifinais, que tiveram 623 mil espectadores.

A RTP1 manteve o terceiro lugar nos totais diários, com 13,5% de share, mas foi a estação generalista menos afetada pela fuga de público para o cabo, que somou 40,3%. A TVI liderou mas ficou-se pelos 15,2%, seguida pela SIC com 14,4%.

Conan Osíris - Festival da Canção 2019

A vitória de Telemóveis atingiu a liderança ao final da noite. (Fotografia: Pedro Pina / RTP)

Consagração de Conan Osíris liderou

Com duas horas e 40 minutos de duração, o Festival ficou a maior parte do tempo atrás da concorrência. O pico de audiência registou-se às 22h57, quando 708 mil espectadores (7,3% / 18,5%) ouviam Anabela a voltar a interpretar A Cidade (Até Ser Dia).

A RTP1 esteve em terceiro lugar no confronto contra Valor da Vida (8,0% / 18,2%) e Alma e Coração (7,0% / 15,9%), mas conseguiu levar as novelas das privadas aos piores registos do ano.

Na faixa das 23h, a SIC apostou numa reposição de D’Improviso e cedeu o segundo lugar à RTP1. O programa de César Mourão ficou-se pelos 277 mil espectadores (2,9% / 9,1%). Na mesma faixa, A Teia dava a liderança à TVI com 701 mil espectadores (7,2% / 19,8%), embora registando o pior share do ano.

Com excepção dos intervalos das privadas, o Festival da Canção só conseguiu agarrar a liderança no momento em que A Teia terminou, às 23h49. A partir daí a RTP1 esteve sempre acima dos 20% de share, registando um máximo de 23,7% no momento da consagração de Conan Osíris.

Tal como nas semifinais, o Festival voltou a ter maior afinidade junto do público mais velho. 55,7% do auditório tinha mais de 55 anos, enquanto 21,6% tinha menos de 35 anos. Também as mulheres estiveram em maioria, representando 60% da audiência.

Nas faixas mais elevadas, o Festival teve resultados à moda antiga, com 12,6% de audiência e 37,1% de share nos 65 a 74 anos, e 13,2% / 40,4% nos maiores de 75. Outra diferença assinalável registou-se entre os 12,4% de audiência e 32,6% registados no público que só tem acesso à TDT, contra apenas 4,8% / 11,9% nos lares com acesso a televisão paga.

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