12 pontos do júri e 12 pontos do televoto. Conan Osiris alcançou a aclamação na noite final do Festival da Canção 2019. E lá fora, o que é que dizem os jornalistas e comentadores da Eurovisão?

No Wiwibloggs, Telemóveis é descrita como “incomum, com camadas de sons que à primeira escuta parecem chocar uns com os outros, mas acabam por se revelar como complementares“. A lírica merece também uma menção: “A letra, que usa o telemóvel como uma metáfora para as complexidades da vida moderna, atravessa a música como um mantra que ecoa“, refere Robyn Gallagher.

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O jornal espanhol ABC define a canção como “pop mestiço“, listando influências tão diversas na música de Osiris como “a kizomba angolana, o manele romeno, o raï argelino, o dancehall jamaicano, o pop e até o fado“. O cantor é descrito como um herdeiro do legado lisboeta e visto como uma aposta da RTP para esquecer o fracasso a que O Jardim foi votado na edição 2018 da Eurovisão, em Lisboa.

Facilmente a entrada mais original da noite, Telemóveis funde sons étnicos com um instrumental moderno e resulta numa canção cativante“, sentencia o ESC Daily, que desde cedo apontou que “o público acredita na música“.

A agência noticiosa EFE fala de Osiris como “um transgressor” que apresenta “um estilo musical difícil de definir e um extravagante estilismo“, acrescentando que esta é “uma canção que mistura ritmos eletrónicos com sons mais orientais e voz aflamencada, e uma letra que alude “à perda e à saudade“.

Michael Outerson, do Eurovisionary, é o único a não se render ao concorrente português: “É difícil entender porque é que as pessoas gostam tanto, mas se acham que pode dar um bom resultado a Portugal, talvez o devam enviar [à Eurovisão]“.

Conan Osiris agora vai a Israel, “se não morrer primeiro“. Isaura, compositora que venceu em 2018, considera que “Música é muitas coisas mas uma das minhas definições favoritas tem a ver com o respeito e a camaradagem. Ontem, quando o Conan Osiris cantou a sua vitória, o ambiente no palco e no público foi das coisas mais bonitas que alguma vez testemunhei. Obrigada a esse Portugal e obrigada Conan e João“, concluiu.