A SIC voltou ao primeiro lugar das audiências em fevereiro, quase 13 anos depois de domínio continuado da TVI. Revemos aqui como era a programação e como ficaram as audiências no último mês em que a estação de Paço de Arcos ficou em primeiro: julho de 2006.

Este mês de verão foi um período em que os astros se alinharam de forma favorável para a SIC, contando com alguns valores do lado da ficção combinados com uma bomba desportiva. Carnaxide fechou o mês com 29.3% de share, cinco décimas acima dos 28.8% de Queluz. No horário nobre, a vantagem manteve-se do lado da TVI, com 33.4% face aos 32.1% da SIC.

A RTP1 fechou julho de 2006 o mês com 21.6%, a RTP2 com 5.7% e o Cabo ficou com os restantes 14.5% de quota de mercado.

1. ‘Está na SIC o Mundial!’

No verão de 2006, a SIC tinha na sua mão a maior arma audimétrica que poderia existir naquele ano: os direitos exclusivos de transmissão em sinal aberto dos jogos do Campeonato do Mundo de Futebol de 2006.

O evento foi abraçado pelo canal com a devida pompa, com direito a música e hino próprio: Finta e Brilha Portugal de Rodrigo Leal.

Em declarações ao Diário de Notícias, o então subdiretor de marketing de programas Paulo Bastos reconheceu a centralidade desta música na estratégia de autopromoção do canal: “é uma bandeira, é parte da festa que a SIC quer proporcionar aos seus telespectadores. Não há festa sem banda sonora…“.

Era nessa altura diretor de programas Francisco Penim que, no final de 2005, após ter garantido a aquisição dos direitos, prometia a transmissão de um pacote de doze jogos, onde se incluíam os três da seleção portuguesa na fase de grupos.

Em junho, foram emitidos esses três jogos da fase de grupos. Portugal somou três vitórias e seguiu para a fase seguinte. Ainda em junho, a equipa portuguesa também venceu a Holanda.

O primeiro jogo emitido em julho foi logo no dia 1, com o quarto de final entre Portugal e Inglaterra, no qual a seleção lusa venceu nas grandes penalidades. O jogo fechou com uma audiência de 28.1 pontos e uma quota de mercado de 85.5%.

Seguiu-se a meia-final no dia 5, jogo com a França em que Portugal saiu derrotado, mas que garantiu à SIC 36.6 pontos de rating e 80.9% de share, tendo sido o programa mais visto do mês. No dia 8, o jogo de disputa do terceiro lugar entre Portugal e Alemanha, que Portugal também perdeu, fidelizou uma audiência de 28.9 pontos e um share de 76.4%.

A fechar o top cinco desse mês ficou a segunda meia-final, em que a Itália se impôs à Alemanha, com 22.2 pontos de rating e 53.8% de share; e a grande final, que sagrou a vitória de Itália sobre a França, com 22 pontos de rating e 65.4% de share.

2. ‘Pobres dos ricos que tanto têm!’

A outra estrela deste mês foi a novela Floribella, que se tornou um fenómeno de audiência para a SIC, impulsionando o seu horário nobre durante o verão de 2006, numa altura em que a ficção da TVI era demolidora.

O seu episódio mais visto desse mês foi no dia 20, com uma audiência de 13.8 pontos e uma quota de mercado de 37.4%. De acordo com a Marktest, a empresa medidora de audiências nesse ano, a audiência média da novela durante esse mês foi de 11.5 pontos e o share médio cifrou-se nos 32.5%.

A novela estava emparelhada com a ficção brasileira Cobras & Lagartos, que se estreou justamente nesse mês, no dia 10, com 9.2% de audiência média e 23.9% de share. Os primeiros dias da novela mostraram alguma instabilidade de resultados, com quotas de mercado a oscilar entre os 20 e os 30%.

Belíssima, novela já na reta final, ocupava o final do horário nobre. Por isso mesmo, estava a observar uma tendência ascendente na sua quota de mercado, com valores a estabilizarem um pouco acima dos 30%.

Sinhá Moça foi outra novela brasileira emitida durante esse verão, nomeadamente ao final da tarde, com resultados genericamente entre os 25-30% de share nesse mês.

Na concorrência de Queluz, eram emitidas as novelas Dei-te Quase Tudo, Tempo de Viver e Fala-me de Amor no horário nobre. Morangos Com Açucar iam nessa altura na sua terceira temporada de verão, ao fim da tarde.

Dei-te Quase Tudo foi o principal destaque para a TVI que, ao terminar no dia 16 desse mês, foi responsável pelas seis emissões mais vistas do canal, todas com shares acima dos 50%.

3. Herman SICFátima, Êxtase e outros fantasmas do passado

Mas a vida da SIC em julho de 2006 não era só feita de novelas e de futebol. Além destes programas, o canal de Carnaxide ainda emitia aos domingos o Herman SIC, já na sua fase final de exibição e com uma quota de mercado em torno dos 23%. 

Aos sábados, numa era pré-Daniel Oliveira, o Êxtase era o magazine dos fins-de-semana, com 27% de share médio das suas emissões desse mês. Nesta altura já não contava com Sílvia Alberto na apresentação, que já se tinha transferido para a RTP1.

Fátima Lopes ainda dava cartas nas manhãs do canal, com o seu Fátima a marcar cerca de 27% de share durante esse mês.

Outros programas dignos de nota que passaram pela SIC durante esse mês são o programa de apanhados Desprevenidos, o reality-show de Bruno Nogueira O Pior Condutor de Sempre e as séries portuguesas 7 Vidas e Aqui Não Há Quem Viva.

O Nosso Mundo e BBC Vida Selvagem, além do Primeiro Jornal e do Jornal da Noite, são os raros programas que ainda hoje permanecem na grelha.