A lista de países que já revelaram os artistas que os vão representar no Festival Eurovisão da Canção 2019, em Telavive, Israel continua a aumentar. De 26 passam para 31, mas desta vez há polémica ucraniana à mistura.

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Nas várias seleções nacionais para a Eurovisão, o vencedor da competição ganha a oportunidade de representar o país no certame europeu desse ano. No que toca ao Vidbir, a seleção ucraniana, não é exceção. MARUV, que ficou em segundo lugar nas votações do júri, acabou por vencer o televoto e, consequentemente, a competição com Siren Song.

A artista já era uma das favoritas do público, o que acabou por ser o elemento principal para a sua vitória. A vencedora do Vidbir foi escolhida através de uma junção de votos do júri residente (50%) e do público ucraniano, através de voto telefónico (50%).

Mas nem tudo é tão simples como parece. O programa ficou envolto em alguma polémica, uma vez que vários concorrentes foram questionados em direto sobre a sua relação com a Rússia e a sua visão face ao território da Crimeia (e a qual país este pertence).

Quando questionada acerca do assunto, MARUV não respondeu de forma clara. A reação surge de Jamala, vencedora da Eurovisão 2016 pela Ucrânia e membro do júri da seleção, que exemplificou o tipo de questões de que a artista poderia vir a ser alvo caso fosse à Eurovisão. “Crimeia — é parte da Ucrânia, ou…?” ao que MARUV respondeu afirmativamente.

No entanto, a polémica não se fica por aqui. Mesmo tendo vencido o concurso, não era certo que a intérprete de Siren Song viesse a ser a representante da Ucrânia na Eurovisão, de acordo com as declarações da UA:PBC, a emissora ucraniana.

MARUV não vai a Telavive – o que aconteceu?

Tal como nas restantes finais nacionais, a estação nacional necessita de confirmar o representante mesmo após a vitória no concurso. Num comunicado oficial enviado para a EBU (União Europeia de Radiodifusão), a emissora afirma o seguinte:

A UA:PBC confirma MARUV como a vencedora da seleção nacional com um acordo para consideração, especificando os termos de participação no Festival Eurovisão da Canção. O anúncio oficial do representante da Ucrânia terá lugar após a assinatura do acordo de participação.

Ou seja, a cantora recebeu uma série de condições pela emissora, que por norma são requisitos simples (como despesas, tirar tempo para o concurso, entre outros). MARUV precisaria de assinar o acordo referido antes de ser confirmada como a representante da Ucrânia, mas parece que existiam outras questões que motivavam este contrato.

Qual poderia ser a questão? A artista já atuou em território da Rússia no passado e tem vários concertos agendados no país para o mês de março. Face a isto, Vyacheslav Kyrylenko, vice-presidente ucraniano, afirmou no Twitter que “a representante da Ucrânia não pode ser uma artista que dá concertos no estado agressor, tem planos para o fazer de novo e não percebe que é inaceitável,” referindo-se à Rússia.

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Num outro comunicado, representantes do canal ucraniano afirmaram que existem opiniões divergentes sobre “se um artista que tenha atividade artística na Rússia deve poder representar a Ucrânia.”

Alegadamente, a UA:PBC deu 24 horas a MARUV para cancelar os seus futuros compromissos na Rússia, para assim poder representar a Ucrânia na Eurovisão. No comunicado referido acima, afirmou-se que existe “uma cláusula no contrato que requer certas decisões – que devem ser tomadas,” o que reforça o rumor da exigência da estação.

A cantora reagiu…

Depois da final nacional, MARUV garantiu aos jornalistas uma conferência de imprensa na semana seguinte, para responder a todas as questões relacionadas com as suas atuações na Rússia. No entanto, acabou por emitir um comunicado na sua página de Facebook, no seguimento da polémica acerca da sua participação na Eurovisão.

Последние 24 часа были самыми эмоциональными в моей жизни.Я одержала честную победу в Национальном отборе на "…

Gepostet von MARUV am Sonntag, 24. Februar 2019

No texto publicado em ucraniano, a cantora diz que “querem tirar a vitória de todos nós,” mesmo que a sua vitória na seleção tenha sido “justa“. Revela, ainda, que recebeu ofertas de três países para os representar, mas que vai “atuar pela Ucrânia e nada mais“.

MARUV revelou que iria cancelar todas as suas atuações na Rússia e que não violou nenhuma das leis ucranianas; disse ainda que estaria disposta a “assumir todos os custos” da sua participação no certame europeu.

A cantora listou ainda as exigências da UA:PBC para o referido acordo entre as duas partes. O canal proibiu-a de improvisar em palco sem a sua aprovação prévia (por exemplo, a realização de espargatas não combinadas pode resultar numa multa de dois milhões de hryvnia — mais de 65 mil euros); exigia, também, a transferência dos direitos de Siren Song para a Warner Music.

A emissora obrigava a artista a compactuar com todas as suas exigências ao longo da temporada eurovisiva (incluindo potenciais convites para participações em festas privadas ou outros concertos), caso contrário poderia ser desqualificada e pagar uma outra multa. Além disso, bania a comunicação com jornalistas sem o consentimento da estação, algo que, segundo MARUV, “viola a liberdade de expressão e os direitos humanos.”

Em troca, a UA:PBC apenas apresentava algumas obrigações da sua parte, não apoiando financeiramente a sua participação na Eurovisão — no entanto, alguns seguidores do certame clarificam que o apoio financeiro das participações da Ucrânia na Eurovisão é atribuído pela STB, emissora privada que também organiza a final nacional em conjunto com a pública; a UA:PBC nunca apoiou o seu representante a nível monetário.

A cantora considera estas exigências “absurdas,” dizendo que se sente “pressionada” e que vê “uma óbvia tentativa de me fazer recusar representar o meu país” na Eurovisão, pedindo apoio aos fãs e jornalistas face à sua situação.

… E a emissora respondeu: MARUV não representa o país

Horas depois do comunicado de MARUV acerca das condições impostas à sua participação na Eurovisão, a UA:PBC anunciou que não conseguiu chegar a acordo com a cantora, tendo esta sido impedida de representar a Ucrânia na Eurovisão deste ano.

Em comunicado através das suas redes sociais, a vencedora do Vidbir reagiu, afirmando que, apesar de amar o seu país, não pode “participar em condições desumanas, moral e fisicamente“, uma vez que “o desacordo foi causado por cláusulas” do contrato que se revelavam “escravizantes” para a artista. Acusa a estação televisiva de tentar tudo para limitar a escolha dos espectadores por motivos políticos.

Com a desclassificação de MARUV, ainda não se sabe qual será o representante da Ucrânia para este ano. Acredita-se que a escolha deverá cair sobre Freedom Jazz, que ficaram em segundo lugar na seleção ucraniana. Seja qual for a escolha final, a Ucrânia atua na segunda parte da primeira semifinal, a 14 de maio.

As escolhas dos outros países nesta semana

Além da Ucrânia, outros quatro países levaram a cabo as suas finais nacionais ao longo desta semana. Fica a conhecer os representantes da AlemanhaHungria, Dinamarca e Lituânia.

Alemanha

S!sters, Sister

Parece erro, mas é mesmo verdade — o tema escolhido na Alemanha tem praticamente o mesmo nome do grupo que o interpreta. O duo S!sters, formado por Carlotta Truman e Laurita Spinelli, foi o vencedor do Unser Lied für Israel, a seleção nacional alemã com o (quase) homónimo Sister.

A vitória foi atribuída através de uma junção de pontos dos telespectadores, de um júri especialista internacional (composto por 20 membros) e de um júri eurovisivo (100 membros). Os votos de cada um dos grupos valiam um terço do resultado final e foram atribuídos em classificações de 4 a 12, ao estilo das votações na Eurovisão.

A Alemanha tem passe direto para a final da competição, a 18 de maio, por ser um dos Big Five a concurso.

Hungria

Joci Pápai, Az én Apám

Este parece ser o ano dos regressos. Joci Pápai, representante da Hungria em 2017 com Origo, voltou a vencer o A Dal, a seleção nacional húngara.

De 30 participantes, apenas oito chegaram à final. Antes de se de decidir o vencedor, decorreram duas rondas de votação — na primeira, o júri decidiu quem passava a uma superfinal e, depois, o público decidiu o vencedor.

Dinamarca

Leonora, Love Is Forever

Dez artistas competiram pela vitória na edição deste ano do Dansk Melodi Grand Prix, a seleção nacional da Dinamarca. Leonora sagrou-se vencedora da competição com o tema Love is Forever.

A vencedora foi decidida através de uma junção de votos de um júri profissional e dos espectadores, cada um com metade do poder de decisão.

A Dinamarca atua na primeira parte da segunda semifinal, a 16 de maio.

Lituânia

Jurijus, Run With The Lions

Jurijus foi o grande vencedor do Eurovizijos Atranka, a seleção lituana. O cantor vai interpretar Run With The Lions no palco da Eurovisão em maio.

O artista recebeu a pontuação máxima quer do júri como do televoto, ficando à frente dos restantes sete concorrentes da final nacional.

A Lituânia atua na segunda parte da segunda semifinal, a 16 de maio.

Os países já selecionados

São agora 31 as nações que já escolheram os representantes que vão defender o seu país no Festival Eurovisão da Canção 2019.

Para saberes mais sobre cada uma das escolhas, podes clicar no nome do país. Por ordem de seleção:

Eurovisão

Kobi Marimi representa Israel em casa com o tema ‘Home’. (Fotografia: Eurovision.tv)

Quem escolhe a seguir?

No que toca a seleções internas, no dia 28 de fevereiro a Bélgica irá revelar o tema escolhido para ser interpretado por Eliot no palco da Eurovisão em maio. Já março será repleto de lançamentos; um dos mais aguardados é o de Replay, tema do Chipre, que já teve um excerto revelado.

Quanto a finais nacionais, o fim de semana de 2 e 3 de março vai ser preenchido. Em mais um super sábado eurovisivo, terão lugar as finais da IslândiaNoruega, Moldávia, Geórgia, Finlândia e, claro, a Grande Final do  Festival da Canção 2019, a seleção portuguesa.

Festival da Canção 2019: Todas as músicas na Grande Final

Festival Eurovisão da Canção decorre a 14, 16 e 18 de maio de 2019 em Telavive, Israel, depois da vitória de Netta em Lisboa. Os espetáculos irão decorrer no interior do Centro de Convenções da cidade, com capacidade para 10.000 pessoas.

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Nota: As datas relativas à revelação de artistas e canções por parte dos vários países estão sujeitas a alterações, alheias ao Espalha-Factos.