A 53ª edição do Festival da Canção arrancou, de vez, com a realização da primeira semifinal, no passado sábado. Depois de ter organizado a Eurovisão, em 2018, Portugal tem agora de eleger o nosso representante para a missão Tel Aviv.

A primeira noite do certame permitiu-nos conhecer quatro dos finalistas que estarão na Grande Gala de Portimão, no dia 2 de março. A noite não teve resultados surpreendentes, porém serviu para percecionar alguns dos favoritos à vitória.

Como foi, então, esta semifinal?

Festival da Canção

Fonte: RTP

A emissão

Como tem sido hábito, em edições recentes, a emissão foi dividida em duas partes, de aproximadamente uma hora cada. A primeira metade ficou reservada para as oito atuações da noite enquanto a segunda apresentou dois tributos a vencedores antigos e o apuramento dos finalistas.

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A hora inicial teve uma execução relativamente boa. A RTP elegeu Tânia Ribas de Oliveira e Sónia Araújo como apresentadoras. A dupla acabou por ser a componente mais fraca de toda a emissão. Desinspiradas, em modo de piloto automático, as profissionais leram um guião insosso sem acrescentarem nada.

Festival da Canção

Fonte: RTP

Mesmo assim, o importante do festival são as suas canções e nesse aspeto correu tudo bem. Não houve gaffes e o ritmo das atuações foi eficaz. A meio e no fim das mesmas, Inês Lopes Gonçalves entrava, em direto da Green Room, para dialogar um pouco com cada artista. Ao contrário das suas colegas, a apresentadora esteve bem e trouxe dinâmica aos segmentos.

A segunda parte da emissão deve ser alvo de uma reflexão por parte da RTP. Sim, é sempre bonito valorizar o passado, porém a prioridade dos telespectadores é saber quem passa e quem fica pelo caminho. Tributos razoavelmente conseguidos de músicas nem muito marcantes não é o suficiente para aguentar a ansiedade de quem aguarda os resultados. É preciso reformular a estrutura ou pensar num método melhor de a preencher.

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A apresentação

Talvez o elemento mais unânime do Festival da Canção é o investimento que a RTP tem feito na sua produção. Este é o melhor ano até agora, com a estação pública a trazer-nos um produto visualmente moderno.

Os efeitos do palco complementaram bem as atuações e demonstraram que há um maior cuidado neste aspeto tão importante nas noites eurovisivas. Os gráficos são igualmente apelativos.

É preciso realçar o trabalho feito para complementar a transmissão. As redes sociais do festival não são perfeitas, mas cumprem o dever de interagir e originar debate com o público. A decisão de colocar as canções em formato de vídeos com letra foi acertada.

Festival da Canção

Fonte: RTP

A RTP Play permitiu acompanhar a emissão inteiramente online e, finalmente, os vídeos das atuações foram disponibilizados em HD, em 1080p. Este salto tecnológico era há muito requisitado pelos espectadores e só ajuda a dar mais credibilidade a toda a organização.

Independentemente do conteúdo, o Festival da Canção é, nos dias de hoje, uma experiência audiovisual agradável. A tendência é para continuar a melhorar.

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As canções

Conan Osíris. Telemóveis. Não há mais nada a dizer. Era a sensação que se tinha ao navegar pelo cibermeio. O público não tem dúvidas sobre qual é o seu artista de eleição.

No entanto, não é só o público que decide. O júri repetiu a tendência das últimas edições e atribuiu a pontuação máxima a um candidato diferente. Matay conquistou o primeiro lugar da semifinal com Perfeito.

No final da noite, a sensação de que a representação eurovisiva passa por um destes dois cantores é inevitável. É um dado que não deixa de ser alarmante. O programa parecia que estava a encher tempo até chegarem os dois favoritos.

De facto, as músicas deste primeiro lote de candidatos foram bastante uniformes no seu estilo e apresentação. Conan sobressaiu-se pelo poder da sua irreverência. Matay executou a fórmula Salvador Sobral, com uma qualidade acima da média.

O resto das canções não eram vergonhosas, mas continuavam a ser banais. Depois de 2018, em que, polémicas à parte, havia quatro fortes candidatos no início, este ano parece haver apenas dois. Conan vs Matay, ou como quem diz, Público vs Júri.

Ainda Falta

Assistimos ao primeiro terço do Festival da Canção 2019. Tivemos sinais de progresso no tratamento do programa e na abordagem tecnológica. Em sentido inverso, terá de haver um cuidado para que exista uma maior variedade de ideias musicais. Os compositores não podem continuar a cair na armadilha de tentarem recriar a magia única de Amar Pelos Dois.

Apesar de tudo o que foi escrito, ainda pode mudar muita coisa. Polémicas estalarem do nada, uma atuação da segunda semifinal surpreender, as tendências de voto mudarem. O festival beneficiaria se tal acontecesse. Qualquer que seja a opinião sobre Conan ou Matay, um concurso de 16 canções não se pode resumir a duas.

Festival da Canção 2019

Fonte: RTP

Há bons e maus sinais, até agora. Para a semana, o Espalha-Factos cá estará para trazer tudo sobre a segunda semifinal. Esperemos que também traga a emoção e o suspense que qualquer bom festival merece.

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