Sophia de Mello Breyner Andresen fotografada por Eduardo Gageiro

Foi descoberta a autora de falso poema de Sophia de Mello Breyner

No passado dia 4 de fevereiro, o jornal Público chamou à atenção para um poema que circulava nas redes sociais que se dizia ser de Sophia de Mello Breyner Andresen – mas que na verdade, não o era. A origem do poema e o seu autor ainda não tinham sido encontrados mas esta sexta-feira, segundo investigação do mesmo jornal, descobriu-se que o poema é afinal da juíza Adelina Barradas de Oliveira que apenas queria homenagear a poetisa Sophia.

O poder da ‘bola de neve’ nas redes sociais

“Há mulheres que trazem o mar nos olhos” assim começa um poema acerca do mar, que supostamente teria sido escrito por Sophia de Mello Breyner Andresen. Tudo parecia bater certo: Sophia era uma conhecida fascinada pelo mar, escreveu vários contos e poemas onde o mar era o protagonista e apenas alguém bastante conhecedor da sua obra conseguiria detetar o erro.

O poema foi sendo partilhado pela internet e inúmeras redes sociais e rapidamente se criou a ideia de que esse poema era, de facto, um poema da autora portuguesa. Nem os meios de comunicação escaparam à confusão: entre eles, o Espalha-Factos, que no seu artigo acerca das celebrações do nascimento centenário da autora (ainda que nunca o tenhamos atribuído diretamente a Sophia), mencionou a frase em questão.  

Esta manhã, o jornal Público desvendou o mistério: o poema foi afinal escrito pela juíza desembargadora no Tribunal da Relação de Lisboa, Adelina Barradas de Oliveira. A juíza diz ter um blogue chamado Cleopatra Moon, no qual apenas escreve por amor à escrita, e que nunca pensou que um poema seu pudesse gerar tanta polémica. Diz nunca ter atribuído a autoria do poema a Sophia e que este era apenas uma homenagem à mesma.

“Sophia de Mello de Breyner Andresen” seria apenas isso, um título de um poema em homenagem à escritora. Mas transformou-se em muito mais. Apesar de estar assinado com as iniciais com que geralmente assina os seus poemas, bastou apenas um leitor partilhar o poema como sendo de Sophia e a bola de neve estava em andamento.

A Menina do Mar

Uma homenagem que se transformou num mistério por resolver

O poema em causa foi escrito pela autora no seu blogue no dia 2 de julho de 2009, data que marcava 5 anos após a morte de Sophia, mas a polémica veio muitos anos mais tarde. Foi apenas no dia 4 de fevereiro deste ano que o Público detetou o erro da partilha deste poema e publicou um artigo acerca da questão, sem saber ainda a origem do mesmo.

Pedro Ferreira, um leitor do mesmo jornal, intrigado com a notícia decidiu tentar descobrir de onde teria vindo o tal poema que tantos (até alguns académicos de Letras) atribuíam a Sophia. Ao descobrir a página da juíza, percebeu que o equívoco teria começado ali mesmo e partilhou a descoberta na sua página de Facebook, onde é conhecido pelo pseudónimo Amadeu Liberto Fraga.

O Público tratou de confirmar os factos, confirmando tudo esta manhã – a juíza diz ter escrito aquele poema como homenagem à poetisa e também à sua filha, que faz anos no mesmo dia. O jornal confirmou ainda que a juíza é sempre correta nas atribuições aos poemas que publica, sendo dela ou não – algo que pode ser confirmado numa rápida navegação pelo blogue em causa.

LÊ TAMBÉM: DA LITERATURA PARA O TEATRO, ESTAS SÃO AS HISTÓRIAS DE AMOR QUE NOS ARREBATAM HÁ DÉCADAS

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Vento Norte
‘Vento Norte’. Entre a pré-ditadura e os loucos anos 20, conhece a nova série da RTP