Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tem sido avidamente criticada após ter anunciado, no dia 11 de fevereiro, que quatro das categorias dos Óscares serão premiadas durante intervalos comerciais e inseridas na transmissão televisiva posteriormente.

Com o objetivo de reverter a queda de audiências da transmissão televisiva dos Óscares de 2018, a que apenas 26.5 milhões de pessoas assistiram (20% menos que em 2017), a Academia alterou algumas das suas características. Primeiro, tentou ter como anfitriões grandes nomes como o ator Dwayne “The Rock” Johnson (que, por motivos maiores, não pode aceitar o cargo) e o comediante Kevin Hart (que tinha aceitado mas posteriormente “saltou fora” aquando da polémica sobre tweets homofóbicos antigos). Resultado: a Cerimónia acabou por ficar sem anfitrião pela primeira vez em 30 anos. Para além disso, a Academia tentou introduzir uma nova categoria, de Melhor Filme Popular, que acabou por ser adiada e não será apresentada já na 91.ª edição.

No entanto, a notícia de que a Board of Governors, presidida pelo realizador americano John Bailey, decidiu retirar quatro categorias da transmissão televisiva da Cerimónia, passando-a para os intervalos comerciais, para cumprir o limite de 3 horas, foi muito mal recebida pelo público e por profissionais do cinema.

Thomas Schlamme, Guillermo Del Toro, Alfonso Cuarón e Russell Hollander na 71.ª Annual Directors Guild of America Awards | Getty Images

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As quatro categorias em questão são Melhor Cinematografia, Melhor Montagem, Melhor Live Action e Melhor Maquilhagem e PenteadoAlfonso Cuarón, realizador de Roma, que está nomeado para 10 categorias, incluido Melhor Montagem e Cinematografia, criticou a decisão da Academia no seu Twitter: 

“Na história do CINEMA, obras de arte existem sem som, sem cor, sem história, sem atores e sem música. Não há um filme que exista sem CINEMAtografia e sem montagem.”

Outros realizadores, argumentistas e cinematógrafos mostraram revolta perante a notícia. Entre eles, Guillermo Del Toro, realizador d’A Forma da Água, que venceu Melhor Filme no ano passado, mostrou revolta no Twitter, onde declarou que “Cinematografia e montagem são o coração do nosso ofício. Não são herdados da tradição teatral ou literária: elas são o próprio cinema.”

A 91.ª Cerimónia dos Óscares acontece no dia 24 de fevereiro no Dolby Theatre.