A Repórter Brasil, uma ONG brasileira, criou a aplicação Moda Livre para haver um maior controlo e fazer chegar mais informação ao consumidor relativamente ao que acontece no mercado têxtil.

Muitas vezes a confeção da roupa é totalmente esquecida, ou ignorada, pelo consumidor. No entanto, ordenados extremamente baixos, exploração infantil e más condições de trabalho são algumas das características que fazem parte do mundo da moda.

A Repórter Brasil tem como principal objetivo fomentar a reflexão e, consequentemente, a ação sobre a violação dos direitos fundamentais dos trabalhadores no Brasil. Porém, a mensagem que defendem é universal.

A app foi desenvolvida para garantir condições mais justas para os trabalhadores da indústria têxtil, assim como para tornar a população mais envolvida nesta realidade que afeta, sobretudo, os países em vias de desenvolvimento.

Neste projeto serão envolvidas cerca de 25 marcas brasileiras, contudo marcas como Forever 21, Calvin Klein, Levi’s, Zara, Adidas e Puma são algumas daquelas cuja informação já está disponível na app.

A Moda Livre também já tem incluídas algumas marcas portuguesas.

Como funciona a Moda Livre?

O modo de avaliação é bastante simples. A Repórter Brasil envia um questionário padrão a várias empresas têxtil e também a grupos, como o Inditex. Numa segunda fase, junta as respostas dos questionários com os relatórios produzidos por agências governamentais e não-governamentais sobre o tema.

Fotografia: Moda Livre

Através deste processo, o objetivo é entender como as peças de roupa de determinada marca são produzidas tendo em conta quatro parâmetros:

  1. Política: quais os compromissos assumidos pela empresa no combate ao trabalho escravo nas suas fábricas.
  2. Monitorização: as medidas que adotaram para fiscalizar os fornecedores de roupa;
  3. Transparência: o modo como a empresa comunica aos seus clientes a origem das peças;
  4. Histórico: exemplos de casos em que essa marca esteve associada a trabalho escravo ou infantil.

Concluída esta fase do processo, cada marca recebe uma pontuação. Pode ser colocada em três categorias distintas: vermelho, amarelo e verde.

No caso da categoria vermelha, geralmente estão marcas que não são totalmente transparentes no que diz respeito às suas políticas e fornecedores. Na categoria amarela encontram-se lojas com um histórico desfavorável e com vários aspetos a melhorar de acordo com os critérios de várias ONG. A  Zara é um dos nomes que se insere nesta categoria.

Já no caso da categoria verde, onde está por exemplo a marca de calçado alemão Adidas, inserem-se aquelas que adotam medidas para melhores condições laborais e para evitar e combater trabalho escravo e exploração infantil.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a Moda Livre é revolucionária e uma referência no que diz respeito à indústria da moda.

A app é gratuita e está disponível para sistema Android e iOS.