O Dia de S. Valentim está à porta, e por isso o Espalha-Factos apresenta-te os melhores casais de alguns dos clássicos da literatura. Nesta lista não vais encontrar nenhuma tragédia, amor não correspondido ou final infeliz – só felicidade, amor, e pares perfeitos que, ao longo da história, se vão conhecendo e apaixonando – algo que nós também não podemos deixar de fazer depois de ler estes romances e ficar a conhecer estes casais. Qualquer um destes livros merece a leitura, mas se preferes que as tuas histórias tenham um bom romance incluído, então não podes mesmo perdê-los.

Elizabeth Bennet e Mr. Darcy (Orgulho e Preconceito, Jane Austen)

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Fonte: Goodreads

Comecemos pelo mais estabelecido e famoso casal trazido ao mundo por Jane AustenElizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy. Odeiam-se quando se conhecem pela primeira vez, mas uma série de mal-entendidos, bailes e cartas depois, percebem que foi tudo uma questão de falsas primeiras impressões – aliás, Primeiras Impressões era o título inicial da obra -, e que são feitos um para o outro, graças ao gesto romântico e secreto de Mr. Darcy que salva a reputação das irmãs Bennet. Não só esta história de amor foi adaptada várias vezes ao teatro, televisão e cinema, como o casal já se viu metamorfoseado em outros casais, como Bridget Jones e William Darcy em Diário de Bridget Jones, uma adaptação moderna desta história clássica de Austen.

John Thornton e Margaret Hale (Norte e Sul, Elizabeth Gaskell)

Fonte: Goodreads

Menos conhecido que Orgulho e Preconceito, Norte e Sul toma muita inspiração dessa obra de Austen e o casal neste romance não é menos perfeito. John Thornton e Margaret Hale são ambos teimosos e orgulhosos e a sua relação relembra muito Elizabeth e Darcy. Ele é um self-made man da indústria do algodão do Norte da Inglaterra vitoriana. Ela, uma menina do Sul de Inglaterra, filha de um pároco que abandona a profissão e muda toda a família para o Norte, onde se dedica a dar aulas em casa. No meio, um segredo e um grande mal-entendido mantêm o mistério, mas neste romance que tem como foco o ambiente industrial e as más condições de vida e trabalho em meados do século XIX, são as diferenças entre este futuro industrial e o passado aristocrático que causam o atrito inicial entre Thornton e Margaret. Para ficarem juntos, ela tem de ultrapassar o seu elitismo e ele, o seu orgulho.

Jane Eyre e Mr. Rochester (Jane Eyre, Charlotte Brontë)

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Fonte: Goodreads

Jane Eyre conta a história da titular Jane, uma órfã que, após sair da escola interna para onde a tia a mandou, encontra trabalho como preceptora na mansão inglesa de Mr. Rochester, que tarda em fazer-se conhecer e, quando o faz, é rude e não muito bonito. Aliás, a própria Jane diz ser feia, mas nesta história, não é a aparência que importa. É a personalidade que Jane demonstra e desenvolve ao longo do romance  – opinativa e surpreendentemente independente – que a tornou numa icónica personagem feminista, que com ela conquista o coração e a mente do duro e complicado (e não pouco problemático) Rochester, que só podem ficam juntos após sofrem ambos grandes perdas.

Anne Elliot e Mr. Wentworth (Persuasão, Jane Austen)

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A lista não estaria completa sem este casal, também de Jane Austen. Mas se Elizabeth e Darcy são uma das suas histórias mais jovens, a maturidade com que escreveu Persuasão espelha-se neste casal. Anne Elliot  rejeitou Frederick Wentworth no passado, após ter sido persuadida por amigos e familiares, devido à falta de fortuna que ele apresentava. Quase dez anos depois, agora com grande fortuna pessoal e um afamado comandante da Marinha, Wentworth reaparece por acaso na vida de Anne, que vive com as consequências de ter rejeitado quem ainda ama, e a vergonha que isso lhe traz, pois ela tem a certeza que ele não só já não a ama como a odeia. Anne e Wentworth são o casal que presta homenagem à perseverança e a longevidade do amor quando sincero e verdadeiramente sentido, e a famosa carta que Wentworth escreve a Anne no final deste romance talvez seja uma das mais bonitas e românticas cartas de amor alguma vez escritas na literatura.

Helen Graham e Gilbert Markham (A Inquilina de Wildfell Hall, Anne Brontë)

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Uma das primeiras obras claramente feministas, A Inquilina de Wildfell Hall é um romance epistolar sobre Helen Graham, que surge na vila onde Gilbert Markham vive e aluga Wildfell Hall, onde vive com o filho e se dedica a pintar quadros que vende. A sua vida antes de ali chegar parece estar rodeada em mistério: quem ela será? Onde está o marido? Chocados, correm rumores entre os vizinhos, mas Markham não se deixa convencer pelas conversas da vila e tenta travar amizade com Helen, e da própria descobrir a sua história. O livro explora temas como os perigos do álcool e do jogo, e como estes podem destruir uma família, e a coragem de uma mãe que decide salvar o filho das más influências paternas, apesar de não só quebrar regras sociais como leis inglesas da altura ao fazê-lo. Mas apesar de tudo isto, Markham não julga Helen, pelo contrário, apoia-a e aceita-a, e ambos fazem um par que se complementa e compreende numa altura em que a igualdade entre um casal estava ainda longe de existir.

Baltasar e Blimunda (Memorial do Convento, José Saramago)

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Nesta lista de casais intemporais não podia faltar um português: Baltasar e Blimunda são o casal no centro do clássico de Saramago, que seguimos ao longo da história, e que permanecem juntos venha o que vier. Não é por acaso que o título do Memorial do Convento em inglês é Baltasar and Blimunda. Eles dão corpo, alma e espírito à história, e são as personagens por quem torcemos ao longo da narrativa, em separado mas, sobretudo, como casal, e não podiam faltar nesta lista.

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