Luísa Sobral
Fotografia: Manuel Fonseca

Um Porto ‘baladeiro’ ao som de Luísa Sobral

À chegada, as cadeiras em meia lua, que preenchem o palco, já anunciavam o intimismo do concerto que ali se seguiria. A Sala Suggia, na Casa da Música, onde Luísa Sobral atuou no passado sábado (9), estava preenchida quase na totalidade. Foi o segundo concerto da digressão de apresentação do novo álbum, Rosa, da cantora e compositora.

Um sem-número de baladas preencheu o concerto com que Luísa Sobral presenteou o público portuense. As declarações de amor à família que as suas letras espelham ganharam uma nova roupagem em palco. Nesse contexto, o concerto moldou-se de uma forma a que, mesmo a própria, não estava habituada. “O disco e os concertos são muito diferentes dos outros e também é tudo muito novo para mim”, explicou. Nessa altura, Luísa Sobral já tinha cantado o primeiro tema, Nádia, e introduzia o seguinte, Não sei ser.

Volvidas três músicas, havia ainda quem estivesse a acabar de chegar. Sem cerimónia, a cantora deu as boas vindas e fomentou a empatia, já criada com os presentes, num espetáculo onde a interação com o público foi constante. “Eu falo imenso“, justificou-se a artista.

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Luísa Sobral quis, no concerto, revisitar temas de outros álbuns. “O disco [Rosa] é muito curtinho, por isso, trouxe canções de discos anteriores. Escolhi aquelas que eu mais gosto em vez das que tiveram mais sucesso, não é que tenha tido muitos hits“, riu-se. Era, então, tempo de cantar Quarto de Lua, um tema que raramente cantava em palco, garantiu.

Cantar histórias

Sou a pior pessoa com instintos“, explicava a cantora. Por esse motivo, Luísa Sobral opta por não os seguir. Porém, contava, na sua segunda gravidez optou por não saber o sexo da criança e assim foi, até ao momento do parto. “Mas decidi seguir o meu instinto e escolhi várias coisas no masculino porque o meu instinto dizia que era um rapaz“.

Desse mesmo instinto nasceu uma canção, Benjamim: “É uma carta de amor não de uma mãe para um filho, mas uma carta que eu gostava que alguém lhe escrevesse, como eu gostava que alguém o amasse“, justificou. Em vez de um Benjamim, Luísa Sobral foi presenteada com uma Rosa e o álbum ganhou o nome da sua filha.

Antes de cantar o tema que dedicou à sua filha foi ainda tempo de ouvir Clementine e Maria do Mar. A compositora escreveu também uma canção para uma rapariga,”não fosse o instinto estar errado” e daí nasceu Querida Rosa. Seguiu-se O Verdadeiro Amor, mais uma balada. “Nos ensaios pensei que as pessoas iam todas adormecer com tanta balada e está um menino na fila da frente cheio de sono, podes dormir“, brincou a cantora. Era, agora, tempo de cantar “uma animada“, indicava Luísa Sobral antes de presentear a Casa da Música com Engraxador.

Escrever o amor

Uma cantadora de histórias, Luísa Sobral retrata, nas suas letras, o imaginário e o real. De uma dessas histórias (esta real) nasceu o tema Os Dois Namorados. Aos 85 anos, já uma vida passada, Armando reencontrou o grande amor da sua vida, ela – Maria – estava já viúva. “Foi tão bonito que eu emocionei-me a ver as imagens deles a fazer o videoclip. Espero, aos 85 anos, ter um Armando sempre a querer beijar-me“. A esta altura, Luísa Sobral já tinha cantado Só um Beijo e Para Ti.

A afinidade entre a cantora e o público foi notável desde o início do concerto e por ele se prolongou. Luísa Sobral apresentou-se, assim, na Casa da Música, numa versão mais intimista e imersiva. Já que se segue uma das semanas mais românticas do ano, a marcar o Dia dos Namorados, a cantora fez questão de tocar muitas “baladonas“. No dia 14, Luísa Sobral atua em Setúbal e dia 22 em Lisboa.

Fotografia: Manuel Fonseca

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