Depois do sucesso do disco Drifter, de 2016, a banda leiriense First Breath After Coma regressa com um novo projeto, NU, com a chancela da Omnichord Records.

A dicção da palavra “nu” faz lembrar new (novo em inglês), e é exatamente esse o caminho que os First Breath After Coma estão a percorrer. NU é um álbum visual, uma narrativa musical contada no ecrã, onde a música e a imagem são indispensáveis uma à outra. A obra é composta por oito músicas, o filme por oito “atos” correspondentes a cada uma delas e, segundo a banda, o filme será apresentado em pedaços. Já conhecemos dois pedaços deste quebra-cabeça, Heavy e Change, ambos disponíveis nas plataformas digitais Spotify e iTunes e no YouTube com os respectivos vídeos.

NU foi escrito, gravado, produzido, masterizado e mixado pelos próprios membros de First Breath After Coma (João Marques, Pedro Marques, Roberto Caetano, Rui Gaspar e Telmo Soares), no complexo industrial em Leiria onde residem e estabeleceram o seu estúdio. A produtora do filme é a Casota Collective, um coletivo de produção artística e audiovisual do qual três dos integrantes da banda fazem parte.

Os integrantes de First Breath After Coma viveram todos juntos durante todo o processo e revelam que NU é o álbum mais pessoal, que mais expõe as suas angústias e paixões. Advertem também que é um álbum para ser ouvido do início ao fim e que não faz sentido ouvir apenas faixas isoladas porque “elas completam-se”.

O formato de álbum visual é novo em Portugal. NU é uma reflexão da condição humana na forma de interpretação, dança, acrobacia que, indissociáveis da componente musical, enfatizam a inocência, a angústia, a fúria e o medo numa mistura harmoniosa.

First Breath After Coma no Mêda+ em 2017 | Fotografia: Carlos Lobão

Os Daft Punk foram dos primeiros músicos a lançarem um álbum visual Interstella 5555em 2003, depois de anos do reinado de filmes musicais como Os Quatro Cabeleiras do Após-Calypso, dos The Beatles, ou Histoire de Melody Nelson, de Serge Gainsbourg. Em 2016 o formato do álbum visual ganhou fama com o lançamento de Lemonade, de Beyoncé, na plataforma Tidal.

First Breath After Coma – de The Misadventures of Anthony Knivet a NU

Fundada em 2012, a banda leiriense lançou o seu primeiro disco, The Misadventures of Anthony Knivet, em novembro de 2013. Desde cedo captamos a veia inovadora e criativa da banda: o disco de nove faixas narra cronologicamente a viagem de Anthony Knivet, um explorador inglês vendido como escravo a colonos portugueses no Brasil que, quando regressa a Lisboa, escreve The Admirable Adventures and Strange Fortunes of Master Anthony Knivet.

The Misadventures of Anthony Knivet | Discogs

Depois, em 2016, veio Drifter, álbum que, como o anterior, explora temáticas como a aventura e a descoberta (sobretudo nas faixas Terra Del Fuego: La Mar e Tierra Del Fuego: Nisshin Maru), mas mais de um approach mais chegado ao pós-rock. Foi  nomeado para Melhor Álbum Independente Europeu pela IMPALA (Independent Music Accompanies Association) de 2016, mas quem ganhou foi Agnes Obel com o disco Citizens of Glass. Não obstante, foi bem recebido pela crítica e pelo público.

No dia 1 de março, lançam NU por inteiro em vinil, CD e digital. O filme poderá ser visto na sua totalidade em Festivais de Cinema depois do lançamento do disco. Os First Breath After Coma já têm uma digressão pela Europa marcada e apresentarão o disco em Portugal nas seguintes datas:

  • 6 de março no Teatro José Lúcio da Silva, Leiria
  • 7 de março no Estúdio Time Out, Lisboa
  • 8 de março no Hard Club, Porto