A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells – um clássico de ficção científica que revolucionou um género e que abriu caminho para a sua reprodução literária e cinematográfica – chega a 7 de fevereiro às livrarias, numa nova edição da Sextante Editora. As ilustrações do pintor Henrique Alvim Corrêa e a tradução de João Bernardo Boléo dão uma nova vida à obra literária.

A Guerra dos Mundos, a par de O Homem Invisível e A Máquina do Tempo, foi uma das obras responsáveis pela criação da ficção científica como género literário. H. G. Wells partiu do relativo desconhecimento que então se tinha sobre Marte e dos progressos da tecnologia para criar uma obra de suspense, espanto e terror, que narra o choque do ser Humano com habitantes de outro planeta.

A partir de dia 7 de fevereiro podes encontrar a nova edição, da Sextante Editora, da obra de ficção científica aqui.

Fonte: Wook

Se o nome do pintor pré-modernista brasileiro Henrique Alvim Corrêa não te é estranho, é porque foi o ilustrador responsável pela edição extraordinária belga do livro de H. G. Wells em 1906. E são essas mesmas ilustrações – escolhidas a dedo pelo próprio autor do livro e que inspiraram a adaptação ao cinema de Steven Spielberg – que são recuperadas para deleitar os leitores portugueses.

A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells

Talvez associes A Guerra dos Mundos à realização de Steven Spielberg e à representação de Tom Cruise. Mas a obra é na verdade de autoria de H. G. Wells e os seus primeiros capítulos foram publicados, não em 2005 (data de lançamento do filme), mas em 1898.

Século XX, arredores de Londres. O narrador e personagem principal – que nunca é identificado no livro – é convidado a ir ao observatório de Ottershaw onde observa a primeira de uma série de explosões na superfície de Marte e que atingem a Terra.

O que primeiro se pensa ter sido a queda de meteoros, revela-se terem sido a queda de cilindros metálicos, que escondiam marcianos, que destroem todos os humanos.

A resistência militar oferecida pelos humanos é esmagada e o narrador é impedido de regressar à sua mulher. Quando consegue deixar a sua casa em ruínas, chega a Londres, destruída e evacuada, num cenário pós-apocalíptico.

Fonte: Wikipedia, página de Henrique Alvim Corrêa

“Mas quem habitará nestes mundos se já forem habitados?… Seremos nós ou eles os Senhores do Mundo?… E serão todas as coisas feitas para o Homem?”

Podes ler o excerto que a Sextante Editora disponibilizou aqui.

H. G. Wells autor que dispensa apresentações

Herbert George Wells (1866-1946) foi um dos mais famosos escritores ingleses, autor de numerosos romances que puseram a ficção científica no mapa. A sua obra História do Mundo e a intervenção que fez a favor da paz após a Grande Guerra tornaram-no uma figura de renome mundial.

Fonte: Wikipedia

Para o Diário de Notícias H.G. Wells foi O homem que inventou o amanhã, tendo sido o primeiro escritor a fantasiar uma invasão da Terra por alienígenas, a alertar para o poder da manipulação genética e sobre o peso de uma guerra nuclear.

Ainda antes dos 30 anos, o autor, inspirado por algumas bases científicas, mas sobretudo, recorrendo ao seu imaginário delirante, já tinha publicado A Máquina do Tempo, livro onde conseguia que o narrador desse eco dos ideais socialistas de uma sociedade sem classes. Seguiram-se A Ilha do Dr. Moreau, onde foi tocada pela primeira vez a questão da manipulação genética e O Homem Invisível, que aprofunda consequências sofridas pela ciência. A Guerra dos Mundos, por seu lado, materializa, pela primeira vez na literatura, uma invasão à Terra por seres de outro planeta. Os factos de Os Primeiros Homens na Lua, onde o título diz tudo, só viriam a ser concretizados, três décadas depois, por Neil Armstrong.

Eu bem vos avisei, patetas… A história da Humanidade está a tornar-se cada vez mais uma corrida entre a educação e a catástrofe“. Quem puder garantir que Wells errou, que atire a primeira pedra.

Curiosidades: Pânico da suposta invasão alienígena

A 30 de outubro de 1938, a rádio CBS interrompeu a sua programação para noticiar uma invasão alienígena que na verdade nada mais era que um programa semanal, onde a história de A Guerra dos Mundos era dramatizada, pelo jovem Orson Welles, em forma de programa jornalístico.

Cerca de seis milhões de pessoas sintonizaram para ouvir o programa e metade delas apenas o fez depois da introdução, onde se explicava que tudo aquilo era uma peça de ficção, justificou a própria CBS. O pânico instaurou-se e pelo menos 1,2 milhões de pessoas acreditou que a história era real e sobrecarregaram as linhas telefónicas e encheram as ruas na tentativa de fugir do perigo. Três cidades norte-americanas ficaram paralisadas com este caos e, a troco disso, o programa foi um sucesso de audiências.

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