Como é habitual por esta altura todos os anos, já são conhecidos todos os nomeados aos Oscars. E como não se pode agradar a gregos e a troianos ao mesmo tempo, é normal que algumas das escolhas suscitem reclamações por parte de pessoas que não concordam com a Academia.

Esta é uma reflexão sobre algumas das categorias e sobre os seus nomeados, sobre os que estão e os que não estão (neste caso, em inglês, usa-se a palavra “snub”).

Melhor

Black Panther | Melhor Filme

Black Panther. Fonte: Marvel

A decisão da Academia em nomear Black Panther para Melhor Filme é de se louvar, porque significa que está finalmente a abrir os olhos aos (bons) filmes de super-heróis que estão a ser feitos desde que a Marvel iniciou o seu Universo Cinemático, em 2008. Ryan Coogler realizou um dos melhores e mais frescos filmes desse universo, e é merecido o reconhecimento que a sua obra está a receber.

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Sam Elliot | Melhor Ator secundário

Sam Elliott. Fonte: Warner Bros.

Com 74 anos, e mais de 50 a trabalhar como ator, Sam Elliott vê reconhecido o seu talento por parte da Academia. Mas este não é um reconhecimento de carreira. No papel de Bobby em A Star Is Born, o veterano ator norte-americano tem uma breve mas marcante prestação que serve como apoio a Jack (Bradley Cooper), seu irmão mais velho.

Spider-Man: Into the Spider-Verse | Melhor Filme de Animação

Spider-Man: Into the Spider-Verse

O mais recente filme sobre o Homem-Aranha conquistou o Golden Globe para Melhor Filme de Animação, confirmando o estatuto de favorito para os Oscars, mas a concorrência é muito forte, pois é composta por animações como Isle of Dogs, Incredibles 2 e Ralph Breaks the Internet. Into the Spider-Verse é um filme muito forte na componente visual e emocional, e expande o mito e o universo de Homem-Aranha.

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Melhor Filme de Língua Estrangeira e Melhor Cinematografia

Cold War. Fonte: Cannes Film Festival

Dos cinco filmes que estão nomeados para Melhor Filme de Língua Estrangeira, três também concorrem pela distinção de Melhor Cinematografia (Roma, Cold War e Never Look Away), categoria que costuma ser composta maioritaramente por filmes de produção norte-americana. Isto é a Academia a reconhecer que fora dos Estados Unidos da América também se criam obras com uma fotografia digna de nota.

Pior

Ausência de Avengers: Infinity War em Melhor Filme

Avengers: Infinity War

A Academia fez bem em nomear um filme de super-heróis para Melhor Filme. O problema é que escolheu o representante errado, porque Avengers: Infinity War é melhor filme que Black Panther. A obra de Anthony e Joe Russo é muito ambiciosa, pois é o culminar de 18 filmes em 12 anos. O melhor é que faz isto bem, não havendo uma personagem que não tenha a atenção devida ao longo de 2h30 de filme. Infinity War ficou-se somente pela categoria de Melhores Efeitos Visuais, o que sabe a muito pouco.

Só uma nomeação para A Quiet Place?

A Quiet Place. Fonte: Jonny Cournoyer/Paramount Pictures

John Krasinski realizou e co-escreveu uma obra arriscada para os nossos tempos, mas que cuja permissa foi suficientemente original para chamar muita gente às salas de cinema, como se pode ver pelo diferença positiva entre as receitas de bilheteira e o orçamento. Com aproximadamente 95% de imagens sem diálogo e uma tensão constante, A Quiet Place é um dos melhores e mais originais filmes de 2018. Disto isto, não se compreende que a sua única nomeação seja para Melhor Edição de Som. A sua não-nomeação para Melhor Filme diz duas coisas: a Academia continua a não aproveitar uma categoria que pode ter 10 filmes (2019 tem oito nomeados) e os filmes de terror continuam a ser ovelhas negras (em 2018 tivemos uma exceção em Get Out, que foi nomeado para quatro categorias, incluindo Melhor Filme).

Onde estão Nicole Kidman e Natalie Portman?

Nicole Kidman. Fonte: Toronto Film Festival

É uma grande pena que a Academia tenha passado por cimas das interpretações de Natalie Portman e Nicole Kidman, em Vox Lux e Destroyer,

Natalie PortmanFonte: Observatório do Cinema

respetivamente, optando em vez pela primeira incursão no cinema de Yalitza Aparicio, em Roma. A prestação da atriz mexicana no mais recente filme de Alfonso Cuarón é demasiado pálida para uma nomeação a Melhor Atriz Principal e fica muito abaixo do trabalho feito por Kidman e Portman, que têm prestações mais memoráveis e que são definidoras das suas carreiras.

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First Man: a maior injustiça

first man

First Man. Fonte: Universal Studios

Apesar de estar nomeado em quatro categorias (Melhores Efeitos Visuais, Melhor Design de Produção, Melhor Edição de Som e Melhor Mistura de Som), First Man é o filme mais injustiçado de 2018. A obra de Damien Chazelle merecia muito mais do que o rótulo de “filme que só está nomeado nas categorias técnicas”, como por exemplo a nomeação de Claire Foy. O maior inimigo de First Man é o facto de quase toda a gente saber de frente para trás e de trás para a frente a história do primeiro homem que chegou à Lua, mas Josh Singer consegue adaptar o livro de James R. Hansen (First Man: The Life of Neil A. Armstrong) de uma forma que o filme não fique aborrecido. Outra das grandes proezas é a estrutura e os aspectos técnicos, fazendo com que no final das quase duas horas e meias o espectador sinta um maior apreço pelo feito de Neil Armstrong e a restante equipa.

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Roma, em vez de Cold War

roma filme

Roma. Fonte: Divulgação/Netflix

Não é algo muito normal, mas na edição de 2019 dos Oscars existe um filme que está nomeado na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira e que também concorre para ser Melhor Filme. O problema é que a Academia errou na seleção, optando por Roma em detrimento de Cold War. O filme do realizador polaco Pawel Pawlikowski é uma peça de cinema mais marcante do que o filme de Cuarón, mas não optou por ocupar tanto tempo de antena nos vários meios de comunicação social.