Qualquer semelhança de Vox Lux em relação a Cisne Negro deve ser puramente coincidência, mas há algo, ou melhor, alguém que une os dois filmes e que os torna quase pertencentes a um universo cinemático. No novo filme de Brady Corbet, Natalie Portman tem uma das duas melhores interpretações da sua carreira no papel de Celeste, uma mulher com uma personalidade que esconde mais do que aquilo que revela. A outra grande interpretação da atriz foi um papel semelhante no filme de Darren Aronofsky, ao vestir a pele de Nina Sayers.

Corbet usa, mas não abusa, do star power de Portman. Depois de uns minutos iniciais surpreendentes, ficamos na companhia de Raffey Cassidy, que interpreta uma Celeste mais jovem a iniciar o seu caminho ao estrelato da música pop. Aqui, Corbet joga com a antecipação do espectador, que naturalmente terá a expectativa de ver a consagrada atriz norte-americana no ecrã. Se o realizador, que também escreveu um argumento inteligente, tivesse optado por seguir Natalie Portman desde o início, o que acontece na segunda metade do filme não teria tido tanto impacto.

Fonte: Killer Films

Quando Portman chega, é para ficar, não só em tela, como também na mente do espectador após o fim do filme. Celeste é uma personagem que se estranha à primeira vista. Parece uma pessoa infantil sem razão de ter as atitudes típicas de uma popstar que tem. Mas depois entranha-se, sendo quase impossível retirar os olhos de Natalie Portman. Cada revirar de olhos e cada mastigar de chiclete tem um significado importante para a total compreensão da personagem.

Quem também nos ajuda a compreender Celeste é Willem Dafoe, que no papel de narrador nos vai dando pistas sobre ela. É um relato pausado, pensado, e não uma narração omnipresente abusiva, em que a cada início de cena temos uma explicação.

Natalie Portman e Raffey Cassidy. Fonte: Atsushi Nishijima/Neon

O último ato de Vox Lux é uma atuação de Celeste, que com a roupa e maquilhagem faz lembrar uma Lady Gaga. Ao contrário da cantora, a coreografia de Portman é por vezes constrangedora, mas nada que chegue ao ponto de distrair do que mais importa.

Brady Corbet começou a atuar em 2000. O seu primeiro trabalho como realizador de uma longa-metragem foi em 2015 (A Infância de um Líder). Vox Lux é o seu segundo e, tal como indica o nome do filme, encontra um cineasta com uma voz clara.

Título original: Vox Lux

Realização: Brady Corbet

Argumento: Brady Corbet

Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Willem Dafoe

Género: Drama

Duração: 115 minutos

Uma complexa e brilhante Natalie Portman em 'Vox Lux'
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