james blake 2019

Crítica: ‘Assume Form’ de James Blake

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8.7
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O pós-dubstep-feito-R&B eletrónico de James Blake sempre teve um tom sombrio. Não se trata de uma escuridão que invoque medo, mas sim uma camada emocional introvertida que a sua música apresenta, tanto como tema e também como estética. O seu mais recente álbum, Assume Form, chegou para apimentar um pouco as coisas.

Graças à perspicaz consciência coletiva de James Blake, os doze temas de Assume Form deixam uma impressão de frescura no ouvinte. Está aqui presente uma gratificante sensação de ambiente e de espaço que não tem medo de experimentar alguma instrumentação trap. Colaborando com variados nomes da indústria musical, é visível uma abertura espiritual a estruturas mais coesas e instantâneas.

Mile High recebe o protagonismo de Travis Scott e o toque do produtor Metro Boomin, resultando numa canção descontraída e smooth. Tell Them, também com Metro, abraça as vozes de James e Moses Sumney e faz nascer a presença mais poppy (à sua maneira) do álbum.

Em Barefoot In The Park casa a instrumentação de James com as melodias vocais (em espanhol) de RosalíaWhere’s The Catch? aproveita o flow de André 3000 num tema que vai brincando com a sua própria batida.

Nos momentos em que James se encontra sozinho encontramos ainda mais razões para gostar de Assume Form. A faixa homónima tem um encanto que ninguém deve subestimar. Como se irá ouvir também em Don’t Miss It, o uso de uma voz com um pitch mais elevado é aliciante e acompanha as palavras de James de modo esbelto.

A frescura supracitada é a sensação mais prevalente em Into The Red. James permite que a sua própria música respire e naturalmente se abra a nós.

I’ll Come Too não procura separar-se de uma estrutura simples e não peca por tal e faz de si mesma uma melodia confortável que não aborrece, antes pelo contrário. Simples mas eficaz é também Power On, que não veste uma harmonia propriamente dita mas sim uma faceta meiga da voz de James.

Com a exceção de uma certa apatia instrumental de Are You In Love, fortemente contrastada pela vibrante Can’t Believe The Way We Flow que a antecede, não há nenhum sinónimo de aborrecimento à vista.

Assume Form merece ser congratulado como o melhor álbum na discografia de James Blake, que nos mima com a sua eloquência criativa. Este é um disco repleto de confiança e envolvente coerência que tanto consegue ser atual como perdurará no tempo.

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