Um dos músicos mais influentes do rock chega aos 50 anos de idade. Para além dos Nirvana e Foo Fighters, o percurso de Dave Grohl merece ser rebobinado.

O facto de essas duas bandas serem incontornáveis no rock mostra que é um dos artistas mais respeitados na indústria. Tem fama de ser um porreiro e está sempre pronto para abraçar novos projetos, mesmo que sejam fora do seu habitat natural, a música.

Seja a cantar perante uma plateia de milhares de pessoas ou atrás de uma mesa de mistura num estúdio, o percurso de Dave Grohl é reflexo de uma perseverança e uma paixão que continuam presentes na sua vida.

Os primeiros passos

No dia 14 de janeiro de 1969, nasce David Eric Grohl na cidade de Warren, no estado do Ohio, nos EUA. Com descendência alemã, irlandesa e eslovena, Dave é o segundo fruto da relação entre James Harper Grohl, um jornalista, e Virginia Jean, uma professora.

Com uma infância conturbada, provocada pelo divórcio dos pais, Grohl começa a aprender a tocar guitarra. O adoslescente acaba por desistir das aulas e decide adotar uma abordagem auto-didata, que perdura até aos dias de hoje. Com 13 anos assiste ao seu primeiro concerto de uma banda punk e marca assim um ponto de viragem na vida do jovem Grohl.

Durante o liceu, começou por tocar em grupos de punk de colegas na escola. É nesta fase que começa por interessar-se também pela bateria, tendo o John Bonham dos Led Zeppelin como principal referência neste instrumento.

Abandona o liceu no 11º. ano e decide então enveredar pela música de forma mais séria. Em 1986, Dave Grohl candidata-se à vaga de baterista na banda Scream e, apesar de mentir na idade, consegue integrar-se no projeto.

Os próximos quatro anos são focados em atuações ao vivo tanto nos Estados Unidos como na Europa. Nesse período, Dave Grohl torna-se amigo próximo de Buzz Osbourne, vocalista dos Melvins, que seria fundamental para mudar o rumo da sua carreira.

No epicentro do grunge

A banda Scream acaba em 1990 e Dave Grohl, com apenas 21 anos, é indicado por Osbourne a Kurt Cobain e Krist Novoselic dos Nirvana. Após a saída por divergências artísticas de Chad Channing, a banda procurava um substituto.

Dave Grohl consegue o lugar e os renovados Nirvana começam a trabalhar no sucessor de Bleach, primeiro álbum da banda. Na primavera de 1991, a banda dirige-se aos estúdios Sound City em Los Angeles com o produtor Butch Vig.

No dia 10 de setembro de 1991, o single Smells like Teen Spirit é editado e torna-se sensação, graças à exibição do teledisco na MTV.

Duas semanas depois, Nevermind é editado pela Sub Pop e causa uma erupção no mainstream musical: o som cru dos Nirvana e as camisas de flanela tornam-se no novo comercial. Os jornais abraçam o fenómeno e, inspirados pelo conceito de Mark Arm dos Mudhoney, chamam-no de grunge, definidor do som de Seattle, marcado também pelos Soundgarden ou pelos Alice in Chains.

O mundo rendeu-se aos Nirvana e Dave Grohl assistia a tudo sentado atrás da sua bateria.

A segunda vida de Dave Grohl

Depois de mais um álbum de estúdio e um concerto acústico sob a chancela da MTV, Kurt Cobain, atormentado pelos seus próprios demónios, não aguentou a fama e suicidou-se a 8 de abril de 1994. A morte precoce do vocalista chocou uma geração de jovens e ditou um fim trágico aos Nirvana.

Com um clima de incerteza no ar, Grohl decidiu aventurar-se num estúdio sozinho e gravar uma maquete com algumas ideias que tinham ficado na gaveta.

Na mesma altura, atua com a banda de Tom Petty numa participação para o programa Saturday Night Live. O músico chega a convidar para integrar o grupo a tempo inteiro mas Grohl recusa a proposta.

Em 1995, Dave Grohl assume uma nova vida musical e lança o álbum de estreia dos Foo Fighters. Apesar de tocar todos os instrumentos neste disco, Dave encontra os restantes membros para formar um grupo para tocar ao vivo entre os quais encontram-se o guitarrista de apoio dos Nirvana, Pat Smear (que sairia em 1997 mas a ser um membro fixo a partir de 2010), e o baixista Nate Mendel que perdura até hoje.

Dois anos mais tarde e com a entrada de Taylor Hawkins na bateria, os Foo Fighters alcançam sucesso com o disco The Color and The Shape graças a singles como Monkey Wrech ou My Hero e a partir de então começam a sua caminhada para o estrelato mundial, que dura até aos dias de hoje.

A banda atua pela primeira vez em Portugal na Praça Sony, em plena Expo 98, tendo atuado por mais sete vezes em solo português. O concerto mais recente aconteceu no festival NOS Alive em 2017.

Rainhas, Abutres e algo mais

Com os Foo Fighters, os funções de Dave Grohl consistia em cantar e tocar guitarra. Contudo, o “bichinho” pela percussão perdurou e por essa razão envolveu-se em mais projetos. Tocou bateria no disco Songs for the Deaf dos Queens of The Stone Age, fundou o grupo de heavy metal Probot e formou, em 2007, o super-grupo Them Crooked Vultures juntamente com Josh Homme na voz e John Paul Jones no baixo.

No cinema, fez papel de Diabo na comédia musical Tenacious D com Jack Black e, anos mais tarde, esteve envolvido na realização de documentários como Sound City (sobre o estúdio de gravação) e Sonic Highways.

https://www.youtube.com/watch?v=bNYnYttDzto

Em 2014, os Nirvana entram no Rock and Roll Hall of Fame e acontece uma atuação inédita com Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear, acompanhados por Lorde, Joan Jett, Anne Clark e Kim Gordon.

No ano seguinte, Dave Grohl parte uma perna em pleno concerto na Suécia com os Foo Fighters. Apesar do percalço, continuou com a atuação enquanto um paramédico o tratava em palco. Nas datas seguintes, o músico esteve sentado num trono digno de um rei vindo do universo literário da Guerra dos Tronos. Anos mais tarde, viria a emprestá-lo a Axl Rose, que sofreu uma lesão semelhante.

O músico tem fama também de convidar membros do público para subir ao palco. O caso mais recente aconteceu no Kansas, onde um miúdo toca Enter Sandman dos Metallica com a restante banda.

Para além das peripécias, os Foo Fighters conseguiram arrecadar quatro prémios Grammy. Estima-se que, só nos Estados Unidos, a banda norte-americana vendeu mais de 12 milhões de álbuns.

Em 2018, Dave Grohl lançou Play, uma composição musical inédita e original com mais de 20 minutos de duração.

Se em meio século de vida, alcançou estes objetivos, o que irá Dave Grohl trazer para a música nestes próximos anos?