A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recebeu várias queixas contra a TVI depois de Mário Machado, antigo dirigente do grupo neonazi Hammerskins, ter sido convidado para o Você na TV desta quinta-feira (3). O regulador dos media já anunciou que vai analisar as reclamações recebidas.

Num debate intitulado “Precisamos de um novo Salazar?“, o programa das manhãs do canal de Queluz abriu espaço à opinião daquele que é considerado pela associação SOS Racismo como “um dos chefes de fila da extrema-direita portuguesa“. Bruno Caetano, membro da equipa do programa de televisão, chegou mesmo a afirmar que fazem falta “algumas partes de Salazar“, nomeadamente “a autoridade” que era exercida pelo ditador, que durante 35 anos no poder suprimiu eleições livres, impôs a censura, torturou e perseguiu vários dos seus opositores.

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A SOS Racismo condenou abertamente a iniciativa da TVI. “A decisão da TVI de convidar Mário Machado é muito mais do que uma estratégia de branqueamento do passado criminoso e nazi-racista de Mário Machado. É mais grave ainda porque denota sobretudo um inqualificável desejo de fascismo, de normalização e legitimação política e social da extrema-direita, como tem acontecido um pouco por toda a parte, no mundo em geral e, na Europa, em particular“, sublinham. De forma mais assertiva, os responsáveis desta organização cívica questionam os critérios da estação televisiva: “Se é uma estratégia empresarial para alcançar mais audiência, ele revela-se torpe e imoral. Se for uma estratégia de identificação com a saudade do fascismo é ainda mais grave e vergonhoso e eticamente inaceitável“.

O canal de televisão não reagiu, até agora, às queixas recebidas pela ERC e ao processo de inquérito que se iniciará, nem emitiu qualquer comentário à contestação que tem estado a receber em vários comentários nas suas redes sociais oficiais.

A SOS Racismo utilizou ainda o comunicado para relembrar que “Mário Machado foi condenado em 1997 a uma pena de quatro anos e três meses de prisão por envolvimento na morte de Alcino Monteiro – assassinado em 1995, no Bairro Alto”.