O poster principal de O Cavalheiro com Arma apresenta um Robert Redford com o braço direito em frente à sua cabeça, que parece estar cabisbaixa. No fundo, esta imagem resume aquilo que é um filme partido e a performance do ator, que torna a sua saída da frente das câmaras um pouco inglória.

A imagem de cavalheiro assenta bem a Redford, que, a julgar pelas inúmeras entrevistas que já deu, aparenta ser boa pessoa.  É uma pena que o último filme do ator de 82 anos não tenha a mesma qualidade e que a sua última presença em cena não seja tão marcante como em outras grandes obras que já participou ao longo da sua extensa carreira. Cavalheiro com Arma foi um tiro que saiu ao lado, mas tem coisas que faz bem.

Divulgação/NOS Audiovisuais

Comecemos pela música, o pior da obra realizada por David Lowery. A banda-sonora de jazz composta por Daniel Hart é agradável ao ouvido, mas o seu uso foi exagerado. E são raras as cenas que não têm música a acompanhar, e quando isso acontece, os ouvidos descansam.

O jazz é um género musical cavalheiresco, mas aqui foi só vilão. Ainda mais grave são as várias cenas em que os gigantes Robert Redford e Sissy Spacek conversam de forma natural, mas que por vezes são “interrompidas” por um crescendo que tira o foco dos tons de voz das personagens. São diálogos que começam muito bem, mas que acabam por ser cenas muito sofridas e os atores levam por tabela.

Robert Redford. Divulgação/NOS Audiovisuais

David Lowery adaptou ao cinema a história de Forrest Tucker (Robert Redford), famoso criminoso norte-americano que passou uma vida sempre a alternar entre a liberdade e a prisão (escapou um recorde de 18 vezes), e que aos 59 anos fugiu de San Quentin com dois outros prisioneiros. Este percurso de Tucker seria sempre uma adaptação interessante para o grande ecrã, mas Lowery conseguiu torná-la numa conversa de café que pode ser resumida em pouco mais de cinco minutos.

O filme sofre muito de uma edição que o quebra. Mesmo não sendo o foco de uma obra sobre roubos a bancos que foge ao normal do género, teria sido bom ter mais tempo para assimilar as cenas em que Forrest usa o seu charme de cavalheiro para assaltar. Em vez disso, temos sequências com supercuts cómicos que terminam com as personagens a responder à polícia da mesma forma: “Era um cavalheiro”.

Casey Affleck. Divulgação/NOS Audiovisuais

Quando a música o permite, vemos a espaços a razão pela qual muitos vão sentir a falta de Redford, mas este desempenho do ator acaba sempre por ser manchado por uma banda-sonora omnipresente e um guião fragmentado. Não basta um sorriso e uma mão a simular uma arma. Também a espaços, Casey Affleck, no papel do investigador John Hunt, mostra brilhantismo, mas são poucas as cenas em que aparece.

O melhor que o filme tem é quando Forrest e Hunt se encontram pela primeira vez. Mas é uma reunião efémera, tal como os momentos de qualidade de O Cavalheiro com Arma.

 

Título original: The Old Man & the Gun

Realização: David Lowery

Argumento: David Lowery, David Grann

Elenco: Robert Redford, Casey Affleck, Sissy Spacek

Género: Drama, Comédia

Duração: 90 minutos

A despedida inglória d'O Cavalheiro com Arma'
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