O fim de ano é uma altura muito peculiar, pois não só nos enchemos de comida desde a véspera do Natal ao primeiro dia do novo ano, como nos ataca o saudosismo e entramos em interessantes devaneios em que fazemos retrospectiva a tudo o que fizemos, vimos e ouvimos no ano que acaba. Esta é a minha lista dos top 10 devaneios cinematográficos de 2018.

Aquela pressão de colocar tudo em lista e entregar aos meus caros editores e companheiros de jornada aqui no Espalha-Factos uma lista com pés e cabeça, resulta sempre numa lufa-lufa quase diária durante duas semanas antes do “deadline” de colocar filmes em dia e visitas ao Sapo Estreias para perceber o que é de 2018, 2017 e, por vezes por causa dos Festivais, 2019.

Este ano não foi diferente. Aliás, o lufa-lufa piorou porque cada vez menos tempo tenho para ir ao cinema, com muita pena minha. No entanto tinha um top 3 claramente definido logo no início deste ano: Linha Fantasma, do Paul Thomas Anderson, Lady Bird da Greta Gerwig e Chama-me Pelo Teu Nome, do Luca Guadagnino. Todos estes 3 filmes estrearam muito perto do início de 2018, mas sabia que todos eles iriam figurar na minha lista retrospectiva deste ano.

No entanto, já em dezembro, apareceu o enorme Roma de Alfonso Cuáron, escapando-se de imediato para o pódio desta humilde lista, e ainda bem que assim o fez. Tenho um grande orgulho no meu top 3 e acho que resume bem o meu 2018: a dor, a beleza e imperfeição perfeita de Linha Fantasma; a crueza, o magnetismo e a simplicidade elaborada de Roma; a ingenuidade, o crescimento e a lição sem moralismos de Lady Bird. Todos estes aspetos que destaquei foram em muito responsáveis por ter gostado tanto destes três filmes e também são todos eles partes integrantes do meu 2018, razão pela qual agora estas obras me sejam tão íntimas nesta retrospetiva.

A restante lista vai representado um pouco daquilo que melhor foi feito no mundo do cinema durante este ano – pelo menos para mim, valha o que valer.

Temos um documentário que além de poderoso acompanha uma gigante no mundo do cinema francês, Agnès Varda: Olhares, Lugares.

Temos um enorme romance filmado pela lente de Luca Guadagnino que não só nos trouxe Timothée Chalamet ao mundo, como um dos poucos “feel good” filmes LGBTI dos últimos tempos. Um mágico encontro entre a subtileza do erotismo e a descoberta da sexualidade, tudo isto com uma idílica Itália em pano de fundo.

A fechar a lista temos: o regresso de Wes Anderson à animação, com o fantástico Ilha dos Cães; o agressivo horror de Ari Aster em Hereditário; o importante e carregado de humor Blackkklansman de Spike Lee; a dupla revelação de Assim Nasce uma Estrela com Bradley Cooper na realização e Lady Gaga como protagonista; e, finalmente, o magnetismo de Charlize Theron em Tully, o mais recente filme de Jason Reitman.

Agora é esperar que 2019 seja tão ou mais promissor que este 2018, pelo menos no cinema. Quanto a outras áreas não posso eu opinar…