Morreu Manuela Cassola, a eterna ‘Justina’ de Inspetor Max

A atriz portuguesa, Manuela Cassola, morreu esta quarta-feira (26) em Portalegre, aos 93 anos, revelou fonte oficial do hospital da cidade alentejana à agência Lusa. Começou por ser conhecida no teatro e no final da sua carreira participou na série televisiva Inspetor Max, transmitida pela TVI entre 2004 e 2005.

A atriz morreu “com o seu gatinho ao colo e sentada na sua cadeira”, revelou António Ribeiro,  filho da consagrada atriz, numa publicação no Facebook.  Segundo Ilídio Pinto Cardoso, o porta-voz da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, a atriz foi transportada para o hospital de Portalegre já sem vida.

Manuela Cassola nasceu em Portalegre a 19 de junho de 1925. A sua vida resumia-se a três paixões e em todas elas era atriz.

Tudo começou com o teatro 

Fez o curso de teatro do Conservatório Nacional, terminando com a classificação final de 18 valores que a levou a ingressar no elenco do Teatro Nacional.

Mais tarde, realizou intervenções dramáticas em óperas no Teatro São Carlos. Participou também na Companhia Teatral do Chiado em vários espetáculos.

O seu amor pelo teatro atravessou fronteiras, tendo nos Estados Unidos, interpretado a peça ‘Celestina’ de Fernando de Rojas que lhe valeu o prémio de interpretação integrada no Festival El Ciglo de ouro Teatro Clássico Espanhol com o Teatro Ibérico.

Além da sua paixão pelo teatro, Manuela Cassola fez cinema e televisão. A última vez que participou numa novela foi em 2017, interpretando ‘Hortense’ em Espelho d’Água, transmitida pela SIC. Além disso, participou em Rainha das Flores, Bem-vindos a Beirais, Sinais de Vida, Os Nossos Dias, Conta-me como Foi, O Bando dos Quatro e Os Malucos do Riso. No entanto, apesar do seu longo currículo, sempre foi lembrada pelos fãs como ‘Justina’, a empregada da família Mendes do Inspector Max.

A própria, em entrevista para o Jornal Alto Alentejo, em fevereiro de 2018, afirmou que “Foi um sucesso muito grande, de tal ordem que as crianças na rua quando me viam chamavam-me Justina”.

Manuela Cassola, afastada do pequeno ecrã à algum tempo, tinha regressado a Portalegre, porque, como referiu na entrevista, sempre tinha pensado em regressar à sua terra. Sem convites, a atriz afirmou que caso lhe pedissem para voltar às novelas, aceitaria.

“A carreira de uma atriz nunca acaba, vai até ao fim da vida. Dura enquanto eu tiver ouvido, voz e memória. Todos os atores fazem falta numa novela, os velhos e os novos”, disse ao Jornal Alentejano.

O filho da atriz utilizou a conta de Facebook da mãe para dar a notícia e prestar homenagem:

“Teve uma vida sempre independente até ao último dos seus dias, um amor enorme pelo teatro e pela sua arte. E assim morreu a minha mãe, com o seu gatinho no seu colo e sentada na sua cadeira. Na sua cidade onde nasceu e à qual voltou para viver os seus últimos dias. Ainda há dias, fomos ver um espectáculo de música portuguesa lindíssimo no Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre, onde se irá fazer uma exposição dedicada à sua vida e carreira. E no final soltou um valente “bravo”, tão feliz que estava. E dizia-me, “temos que dar força aos músicos e cantores no palco”. Deu-me uns rebuçadinhos do doutor Bayer antes de a deixar. Desci as escadas da sua casa e ela foi à janela para se despedir de mim. Agora é a minha vez mãe de te dizer “bravo” também a ti, pela tua coragem e luta pela tua arte. “Bravo”, mãe querida”. 

Na mesma rede social começam a surgir as reações dos colegas e amigos da atriz. Ruy de Carvalho que contracenava com ‘Justina’, interpretando o “avô João” da Família Mendes, em “Inspector Max”  já reagiu:

Numa nota colocada na página da Internet da Presidência da República, o Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte da atriz e apresentou condolências à sua família e amigos, relembrando o trabalho da mesma no teatro e na televisão portuguesa.

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