Fotografia: Tiago Filipe

UHF na Aula Magna: Os Putos vieram fazer História

A celebrar 40 anos na estrada, os UHF propocionaram um concerto memorável na Aula Magna e fizeram História ao terem convidados muito especiais.

A noite é de celebração e nas imediações da Aula Magna, sala de espetáculos na Cidade Universitária de Lisboa, o entusiasmo pelo concerto é palpável. Ao longo de 40 anos de canções e álbuns, os UHF conseguiram arrecadar diferentes gerações de fãs e a atuação de hoje seria, à partida, um momento especial.

O público é maioritariamente composto por veteranos do rock, mas há também filhos e netos que agora os acompanha. Já dentro da sala, é possível observar a dedicação de alguns fãs mais acérrimos. Cartazes, balões com as letras da banda, capas de discos e t-shirts personalizadas alusivas à banda.

Passa uns escassos minutos das 21:30, hora prevista do início do concerto, e nota-se o ambiente de ansiedade geral. O público está expectante. Alguns tentam chamar o grupo liderado por António Manuel Ribeiro com palmas e também trauteiam o refrão de Rapaz do Caleidoescópio.

Começam por entrar os músicos da formação atual dos UHF e, por fim, entra António Manuel Ribeiro em cena. O público responde ao levantarem-se dos seus lugares e recebe o carismático vocalista com uma ovação em pé. É arrepiante sentir o carinho.

Os putos vieram-se divertir

O vocalista é o único membro que se mantém desde a génese dos UHF, em 1978. Persona Non Grata arranca com a celebração e, de seguida, ouve-se a Dança dos Canibais e Jorge Morreu. São canções com anos de vida, mas continuam a soar frescas.

A “Nação UHF”, como também são conhecidos os fãs da banda, manifestam-se ruidosamente. Alguns mais desinibidos dançam alegramente e cantam, verso por verso, os temas da banda.

A celebração prossegue com Um Rapaz Mau com a capa do single a servir como pano de fundo e Sinais Presentes do Tempo. A dada altura, António Manuel Ribeiro repara num cartaz de um fã. O músico lê a frase que está escrita (“É bom fazer parte desta História”) e decide responder.

“Eu é que agradeço vocês todos por fazerem parte dos UHF”, conseguindo uma reação calorosa por parte do público. Os Putos Vieram Divertir-se é dedicada aos fãs da banda e é recebida de braços abertos pelo público presente na Aula Magna.

O primeiro convidado a subir ao palco é o guitarrista português Frankie Chavez. O músico abrilhanta o tema Matas-me com o teu olhar ao tocar uma steel guitar, em conjunto com a banda.

O miúdo que via UHF na TV

Depois de ouvirmos Brincar com o Fogo e Vejam Bem (homenagem a José Afonso), António Manuel Ribeiro chama a palco João Pedro Pais.  Enquanto ajeita a guitarra acústica, o músico confessa ao público que nunca imaginaria que iria partilhar palco com os UHF num concerto tão especial como este. “Quem diria que um miúdo que via UHF na televisão, iria um dia tocar eles. É incrível”, afirma visivelmente emocionado.

Na tua cama é escutada com João Pedro Pais a dar voz para uma versão incrível do clássico tema do repertório da banda.

Sarajevo é recordada e, para celebrar um dos maiores êxitos dos UHF, entra em palco Renato Gomes, antigo guitarrista e peça fundamental nos primórdios da banda. António Manuel Ribeiro chega a contar ao público que foi graças a ele que começou a tocar guitarra.

Rapaz do Caleidoscópio é interpretada e põe o público a cantar em plenos pulmões do início ao fim. Renato Gomes mostra os seus dotes na guitarra e prova que não perdeu o jeito.

Cavaleiros do rock ‘n roll

No entanto, a cavalaria da pesada ainda estava por chegar. Paulo Furtado, mais conhecido por ser The Legendary Tigerman, sobe ao palco e toca a canção Cavalos de Corrida, numa versão irreprensível. É um luxo presenciar estas diferentes gerações de músicos num palco.

Mas não é só do passado que os UHF vivem. A preparem o seu novo álbum de originais, ouve-se Hey! Hey! (bora lá), a mais recente música do grupo almadense.

António Manuel Ribeiro continua a ser um verdadeiro trovador do rock n’ roll português e é também um músico que tem sempre algo a dizer.

No encore, o vocalista canta, sozinho em palco, canta noites lisboetas e faz unir Lisboa e Almada. “Vamos tocar o que podia ser, na minha opinião, um segundo hino nacional”, diz António Manuel Ribeiro antes de se atirar à Menina que Estás à janela.

Há tempo também para tocar Celulóide (para Ian Curtis) pela primeira vez e a apoteose acontece em Rua do Carmo com todos os convidados em cima do palco, fechando com chave de ouro as mais de duas horas de atuação.

Uma noite memorável para o rock português.

Fotografias de Tiago Filipe

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