A CBS é um dos canais americanos de maior sucesso. Ganha o prémio de canal mais visto na maioria das temporadas e é a estação que acolhe séries como The Big Bang Theory, NCIS, Survivor ou Big Brother. Hoje, atravessa uma intensa crise de identidade e viu a sua reputação manchada por múltiplas denúncias e escândalos de assédio, que vão desde estrelas de programas até ao próprio ex-CEO.

Numa altura em que as atenções mediáticas estão centradas na campanha #MeToo, sintetizamos os três principais episódios que vieram a público nos últimos meses e que denunciam uma cultura de encobrimento de assédios dentro da CBS.

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Novembro de 2017: Charlie Rose, estrela da informação, é despedido pela CBS

Uma figura de destaque no programa informativo matutino do canal CBS, bem como do mais reconhecido 60 Minutes, Charlie Rose foi afastado dos ecrãs em novembro do ano passado, após múltiplas mulheres o denunciarem por más condutas sexuais. A história foi lançada num artigo do The Washington Post, que descreveu a forma como o jornalista recorria à nudez, à tentativa de toque e a comentários lascivos para assediar as suas colegas de trabalho.

Três dessas mulheres dirigiram de igual forma acusações ao próprio canal, acusando a CBS de não fazer o suficiente para travar o assédio sexual que lhes era dirigido. Neste mês de dezembro, mais de um ano depois, a estação conseguiu chegar a um acordo com as três acusadoras, naquele que é interpretado como um dos vários passos no reconhecimento no papel cúmplice do canal nesta realidade.

A saída de Charlie Rose afetou igualmente as audiências do programa CBS This Morning. Já habituado a ficar em terceiro lugar, atrás dos seus congéneres Today (NBC) e Good Morning America (ABC), o programa da CBS viu o fosso de audiências aumentar ainda mais. Segundo o The Wrap, o informativo caiu 14% nesta temporada de 2018 face aos valores que estava a obter no outono de 2017.

Além de Charlie RoseJeff Fager, o produtor executivo de 60 Minutestambém foi despedido depois de receber acusações de ter criado um ambiente de trabalho que tolerava o assédio.

Julho de 2018: Leslie Moonves passa de Deus da televisão americana para protagonista de uma cultura de assédio

O caminho que a CBS está a hoje a fazer no reconhecimento do seu papel no desenvolvimento desta cultura de trabalho que tolerou durante anos o assédio ganhou um forte impulso no verão de 2018. Em julho deste ano, a New Yorker publicou um artigo no qual o antigo CEO da CBS é acusado de más condutas sexuais por mais de uma dúzia de mulheres.

Leslie Moonves não era qualquer pessoa na CBS. Moonves chegou ao canal em 1995 como presidente da CBS Entertainment, passando para CEO da CBS em 1998. Em 2003, passou a acumular o título de CEO com o de presidente do conselho de administração da estação.

Perante este artigo, alguns membros do conselho de administração ainda tentaram alinhar-se em defesa de Moonves, que se manteve no cargo até setembro. Desde então, o conselho sofreu várias alterações na sua composição.

Segundo o The New York Times, um primeiro rascunho do relatório da investigação a estas acusações indica que Moonves tentou várias vezes silenciar essas denúncias. Primeiro, oferecendo um trabalho a uma atriz que tinha feito uma acusação contra ele. Depois, que ele teria recebido sexo oral de pelo menos quatro funcionárias da CBS, em circunstâncias que pareciam ser de troca de favores. Por último, que Moonves tentou destruir provas e desorientar os investigadores.

Ainda este mês, a atriz Cybill Shepherd veio a público denunciar que Moonves cancelou a sua série Cybill em 1998 após ela ter rejeitado os seus avanços.

Por tudo isto, o relatório recomendou que a CBS não aceitasse entregar a Moonves 120 milhões de dólares de indemnização pelo término do contrato de trabalho antes da data prevista.

Dezembro de 2018: Michael Weatherly é sintoma de um problema maior na CBS

Tal como o Espalha-Factos já noticiou esta semana, Michael Weatherly, estrela de NCIS e de Bull, está envolvido na mais recente acusação de assédio no interior da CBS. O ator é acusado pela sua ex-colega Eliza Dushku de assédio no local de trabalho. Dushku terá sido despedida depois de confrontar Weatherly com essas atitudes.

Num artigo de opinião publicado no Boston Globe, a atriz refere que Weatherly se gabava frequentemente da sua amizade com Moonves. Eram recorrentes as histórias sobre como o ator usava o avião de Moonves, como iam de férias juntos e de como eram grandes amigos. Dushku interpreta esta postura como um amuleto de proteção que Weatherly se orgulhava de mostrar.

No meio desta nova polémica, a CBS reconheceu que o seu trabalho para criar um ambiente de trabalho seguro e respeitoso está ainda longe de terminar.

Bull: Eliza Dushku foi despedida depois de acusar Michael Weatherly de assédio