A Estreia da Semana está de volta e, com ela, também a mais famosa babysitter do mundo volta, praticamente 54 anos depois, aos cinemas. O Regresso de Mary Poppins (2018) está marcado para esta quinta-feira, dia 20 de dezembro, e promete fazer valer a pena toda a espera – a maior de sempre entre original e sequela live action.

Este é o show da Emily [Blunt]“, assegurou a Mary Poppins original, Julie Andrews, quando abordada para fazer uma pequena aparição na mais recente adaptação dos escritos de P. L. Travers como a conhecida senhora do balão. Por outro lado, Dick Van Dyke deixou as cerimónias de parte e voltou a saltar para o ecrã, desta vez não como Bert / Mr. Dawes Senior, mas como Mr. Dawes Junior.

A nova história volta a situar-se numa Londres abalada pela Depressão, mas Jane e Michael Banks já estão crescidos. Não vai faltar a magia do costume a Mary Poppins, nem crianças para serem cuidadas, agora pelas mãos de uma ama que vem marcada por uma perda pessoal. E essa mesma perda pode ser a chave para ajudar esta família negligente a perceber que ninguém deve ser tido como garantido e que, mesmo em tempos mais negros, é possível ser-se feliz.

Ao Encontro de Mr. Banks (2013) explicou-nos melhor como P. L. Travers chegou a esta Mary Poppins, e que impactos na sua vida serviram como influência para a história que se debruça sobre educação e felicidade. Para além disso, é nele exposto o atrito entre a escritora e o magnata produtor de cinema Walt Disney, que se mostrou, no mínimo, insistente para que a ama mais acarinhada da América chegasse ao grande ecrã.

Travers vs. Disney

Ainda em fase de pré-produção, P. L. Travers, também consultora de produção de Mary Poppins (1964), sentiu que a sua história estava a perder todo o encanto pela maneira como estava a ser passada do papel para o ecrã pelo produtor, Walt Disney.

Foram objetos de crítica por parte da autora a diluição dos aspetos mais duros da personagem principal, bem como o uso de animação por cima de ato real nas sequências musicais – também elas, embora ambiguamente, desaprovadas por Travers. Ainda que, depois deste filme, a escritora tenha descartado qualquer outra adaptação, a maioria dos elementos criticados entraram na versão final de Mary Poppins.

Na ficção Ao Encontro de Mr. Banks, P. L. Travers, protagonizada pela inglesa Emma Thompson, diz ao Walt Disney de Tom Hanks: “Pinguins chatearam-me imenso! Pinguins dançantes animados! Agora, seduziu-me com a música, Mr Disney, sim, seduziu. Aqueles meninos Sherman deram-me bem a volta à cabeça mas eu NÃO vou ser demovida em matéria de cartoons!

Das 13 nomeações pela Academia, o filme venceu cinco Oscars, entre eles os de Melhor Atriz Principal (Julie Andrews apenas se estreara em cinema com Mary Poppins) e de Melhor Canção Original, pela música Chim Chim Cher-ee. A partir daqui, Andrews subiu tanto que protagonizou, até, a Maria de Música no Coração (1965), outro multi-vencedor, no qual não foi para além da nomeação.

Se a versão de 1964 levava assinatura de Robert Stevenson, agora foi pela visão do realizador Rob Marshall, conhecido pelos musicais Chicago (2002) e Caminhos da Floresta (2014), que nos chegou o continuar deste clássico. Para além da estrela em ascensão Emily Blunt, que este ano já protagonizou o Um Lugar Silencioso (2018) de John Krasinski, a sequela vai contar com a já repetente com o realizador Meryl Streep, com Colin FirthJulie WaltersLin-Manuel Miranda como Jack, Ben Whishaw como Michael Banks e Emily Mortimer como Jane Banks.

Para já, O Regresso de Mary Poppins valeu quatro nomeações aos Globos de Ouro, entre elas a para Melhor Atriz (Emily Blunt), Melhor Filme – Comédia ou Musical, Melhor Ator (Lin-Manuel Miranda), e Melhor Trilha Sonora, composta por Marc Shaiman.

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