Fotografia: Pamela Anderson Foundation

Pamela Anderson: A nova estrela da esquerda no debate europeu?

É fã de Jeremy Corbyn, reconhece a desigualdade estrutural que provocou o surgimento dos Gilet Jaunes e é contra as posições de Emmanuel Macron, Theresa May e Matteo Salvini. Não, não estamos a falar de António Costa ou de Pedro Sánchez, mas sim de Pamela Anderson, uma figura emergente no debate político de esquerda.

Pamela Anderson, nascida em 1967 no Canadá, é uma atriz e modelo mais conhecida pelos papéis que interpretou nas séries Baywatch ou Home Improvement. Hoje vive na França e é mais conhecida pelos tweets ou intervenções públicas que tem feito acerca da política americana ou europeia, seguindo sempre um alinhamento ideológico de esquerda e de combate ao neoliberalismo. Mas quando surgiu esta ligação às causas políticas e sociais e que temas têm mais preocupado Anderson nas últimas semanas?

Ativismo político desde os anos 90

Logo em 2003, Pamela Anderson participou numa campanha pelos direitos dos animais, em protesto contra a empresa KFC (Kentucky Fried Chicken). De acordo com o The Guardian, o seu trabalho a favor dos animais iniciou-se ainda nos anos 90, tendo trabalhado em proximidade com a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals).

Nos anos seguintes, participou em várias campanhas de solidariedade social. Uma delas foi em 2013, após o terramoto que devastou o Haiti, numa campanhas de recolha de fundos que recolheu 76 mil dólares para uma instituição de solidariedade social para auxiliar o país.

Contudo, a defesa de causas também a levou a trabalhar lado a lado de figuras controversas. O The Guardian aponta dois casos: Anderson está alinhada com Vladimir Putin no combate à caça de focas e travou uma amizade com Julian Assange, o fundador da WikiLeaks, a quem prestou uma visita na embaixada do Equador em Londres.

A atriz criou ainda a Pamela Anderson Foundation, plataforma que usa para impulsionar a discussão de várias temáticas sociais e políticas, em especial no apoio a organizações e indivíduos que lutem pela proteção de direitos humanos, animais e ambientais.

Brexit e relação com a UE: a rejeição ao acordo de saída proposto por Theresa May, a crush por Jeremy Corbyn e o euro-cepticismo

A atriz considera que o Brexit é o principal tema da atualidade europeia, mostrando-se totalmente alinhada com a posição de Jeremy Corbyn, o líder do partido trabalhista do Reino Unido e líder da oposição, por quem admite ter uma crush política: “Ok, eu admito-o, eu tenho uma pequena queda política pelo Jeremy Corbyn. Ele é um político cuja integridade eu admiro de forma absoluta e incondicional. Mas isso é um assunto para outra altura…“.

Anderson argumenta depois que a União Europeia (UE) é um espaço de imposição de políticas neoliberais, mesmo que contra a vontade dos países comunitários. “Existem políticas neoliberais inscritas nos tratados da UE que os países da UE foram forçados a implementar, mesmo que contra a sua vontade. A desigualdade entre os países da UE tem vindo a aumentar. Os estados mais fracos têm sido ainda mais empurrados para a crise. Basta olhar para a Grécia – e o tratamento bárbaro que teve de suportar – para ver a verdadeira crueldade da UE.”

Gilet Jaunes: críticas ao neoliberalismo, à violência estrutural na França e à postura de Emmanuel Macron

Outro tema que tem despertado especial interesse em Pamela Anderson tem sido a recente crise dos Gilet Jaunes. Desde meados de novembro, um conjunto crescente de manifestantes emergiu um pouco por toda a França, reivindicando uma série de melhorias nas suas condições de vida.

Anderson é crítica da postura de Emmanuel Macron, Presidente de França, a quem acusa de apenas ser capaz de usar bem um fato e de agir de forma confiante. A também atriz estabelece uma ligação entre a violência dos protestos com a violência estrutural vivida na França.

Anderson também critica a estratégia de Macron em reduzir o incentivo ao consumo de combustíveis fósseis através do aumento dos impostos. “Isto era supostamente para obter mais dinheiro para o orçamento do país e também para motivar as pessoas a usarem alternativas aos carros a diesel. Macron gostaria de banir os carros a diesel até 2040. Mas o estado francês encorajou as pessoas a comprarem carros a diesel durante muitos anos. Por exemplo, em 2016, 62% dos carros na França eram carros a diesel, assim como 95% das carrinhas e pequenos camiões.”

Mas não é só face a Macron que Pamela Anderson dirige as suas críticas. Figuras como Matteo Salvini, Vice Primeiro-Ministro e Ministro do Interior de Itália, também recebem recados. Anderson mostra-se muito preocupada com os tempos atuais em Itália, estabelecendo um paralelo com os anos 30 do século XX.

A crise dos refugiados como uma batalha ideológica

Pamela Anderson também aborda nos seus tweets a crise dos refugiados que tem assolado a Europa nos últimos anos. As suas publicações procuram estimular sentimentos de solidariedade com os refugiados, entendendo que a diferença entre migrantes económicos e refugiados é de nível ideológico.

 

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