O Novo Cônsul em Havana estreia na primavera e retrata o lado desconhecido de Eça de Queiroz, acompanhando-o durante os 14 meses em que foi o cônsul português em Havana em 1873.

Na série vamos poder acompanhar as aventuras de Eça de Queiroz enquanto cônsul português em Havana, cargo que ocupou entre 1873 e 1874. Durante estes anos tentou marcar a diferença, providenciando vistos para os Estados Unidos e desenvolveu interesse pela causa abolicionista.

Produção portuguesa

A série, uma produção portuguesa da RTP, terá treze episódios, e está a ser gravada em Penafiel, onde Eça de Queiroz nasceu, mas também em Castelo de Vide, Ílhavo e São Pedro do Sul. A série também rodará algumas cenas em Espanha e terá uma semana de gravações em Havana.

A importância de gravar em locais reais e em edifícios históricos é muita, pois providencia autenticidade que ajuda os atores mas também confere credibilidade à série aos olhos do público, salientou o realizador Francisco Manso em declarações à RTP. O realizador é responsável por outros filmes e séries portuguesas como Aristides de Sousa Mendes – o cônsul de Bordéus e Almeida Garrett.

O Novo Cônsul em Havana estreia na primavera de 2019 e conta com nomes conhecidos no elenco como Leonor Seixas, António Capelo, João Lagarto, Joaquim Nicolau e Bruno Schiappa, para além de Elmano Sancho no papel principal de Eça de Queiroz. Nuno Fragoso, diretor de programas da RTP, afirma que o objetivo deste tipo de produções é “trazer histórias do nosso coletivo, da nossa história, para a televisão, para com isso chegar a mais público, sobretudo ao público jovem”.

prémio

Eça de Queiroz, o diplomata

Eça de Queiroz nasceu em 1845 em Penafiel, e desde criança que viveu em vários pontos do país, como Aveiro, Porto, Coimbra, onde estudou Direito, Lisboa, e Leiria, nesta última já como administrador público. Entretanto, viaja pelo Oriente entre 1869 e 1870. É depois enviado na sua primeira missão diplomática para Havana em 1873, onde fica 14 meses, e em 1874 é enviado como cônsul para Inglaterra, primeiro para Newcastle e depois Bristol, até 1878, anos que se provaram os seus mais produtivos, e durante os quais publicou O Crime do Padre Amaro (1875), A Tragédia da Rua das Flores (1877-78) e O Primo Basílio (1878).

De regresso a Portugal, casa com D. Emília de Castro, com quem tem quatro filhos, e publica O Mandarim (1880) e A Relíquia (1887) –esta última inspirada pelas sua viagem ao Oriente. Em 1888 é enviado para Paris, também como cônsul, e é nesse mesmo ano que publica a sua obra-prima, Os Maias, e é lá que falece em 1900, aos 55 anos.

Durante a sua estadia em Paris publicou Uma Campanha Alegre (1890), a Correspondência de Fradique Mendes (1900), e A Ilustre Casa de Ramires (1900). Todos os seus outros trabalhos, incluindo A Cidade e as Serras (1901), foram publicados postumamente.

Um autor e diplomata com visão do mundo

A sua internacionalidade e o seu estilo de vida itinerante são possivelmente uma das razões pelas quais as suas obras de estilo realista, no seu mordaz e irónico tom, têm uma visão tão completa e abrangente da vida e das pessoas portuguesas.

Paralelamente à  carreira diplomática de sucesso,  Eça de Queiroz foi também jornalista e tradutor para além de escritor. Em todas estas áreas mostrou um entendimento profundo do ser humano em sociedade – no seu melhor e, particularmente, no seu pior.

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