Não foi a estreia em território nacional, no entanto Skepta pisou pela primeira vez um palco lisboeta. A propósito da SK Level Tour, o rapper inglês trouxe na bagagem o aclamado Konnichiwa, lançado em 2016. O Lisboa Ao Vivo encheu até às costuras para ver o artista grime que tem vindo a ganhar uma legião de fãs em Portugal.

Infelizmente, Skepta não autorizou a captação de imagens durante o concerto, mas não foi isso que estorvou o seu sucesso. Também não precisou de muito em palco para nos atirar ao chão: ele, um DJ e um espetáculo de luzes invejável. Optou pela simplicidade conjugada com lasers e focos que imitavam prismas de luz. Tudo bem ao estilo bonitinho vaporwave (até as roupas que envergava).

Calor, suor e fumo: o underground que precisávamos

Entrou a matar como ninguém esperava com Praise The Lord, o último grande sucesso que partilha com A$AP Rocky. Repentinamente, só se viam saltos, flashes e loucura. Quem começou aí a tirar os pés do chão, já não tornou a assentar na terra. Assim, esquecemos também a hora que passámos à espera do rei da noite, mesmo quando nos entreteram com três outros artistas da sua crew.

Skepta passou a pente fino Konnichiwa, o álbum que fez as pessoas prestarem realmente atenção. Deu-nos That’s Not Me assim de rajada como se não tivesse nada a perder (e só ganhou). O caos generalizou-se e abriam-se mosh pits de minuto a minuto. O fumo, o calor e o suor tornaram o concerto numa verdadeira festa underground à moda antiga.

Lyrics, Detox e It Ain’t Safe foram incansáveis, contudo o brilharete do inglês triunfou na íntegra com Shutdown e Man. Ir ao ginásio? Não, um concerto de Skepta é mais que suficiente para manter o cardio em check. Os mais recentes temas No Security e Neighbourhood Watch, com LD, ainda estão a ser digeridos mas foram igualmente bem recebidos pela sala. A euforia não deixava ninguém de fora.

A balbúrdia festiva voltou a fazer-nos pensar no molde deste tipo de concertos. Sim, as salas pequenas conseguem tornar o espetáculo mais coeso e a experiência mais real ainda. Tudo se encontra em sintonia num estado mental similar de alegria expansiva, contagiante até. Na verdade, esta não foi a prova dos nove de Skepta. Reformulando: ele não precisa dela, muito menos no nosso país.