Os Idles atuaram pela segunda vez este ano, na cidade do Porto, na segunda feira (26). Com lotação esgotada, o Hard Club recebeu na sua sala mais pequena a banda de punk-rock/post-punk, que tem dado que falar, para uma noite arrebatadora.

O espetáculo teve início às 21h30 com a atuação de John (TIMESTWO), composta por um baterista e um guitarrista que souberam marcar presença pelo peso da sua música. A agressividade da performance foi traduzida a um nível físico, tendo o baterista lidado com vários ferimentos sangrentos como se fossem medalhas de honra. Quanto ao público, este preferiu conservar todas as suas energias para o que ainda estava por vir.

O concerto dos Idles foi inagurado por Colossus, um monstro progressivo sónico que serve perfeitamente como uma introdução, tal como o faz em Joy as an Act of Resistance. Quando o seu fim caótico chegou, tornou-se claro que a audiência não estava para brincadeiras. Entre saltos e empurrões, estava instalada uma confusão sorridente contagiante que se manteve ao longo da noite.

setlist conjugou de modo equilibrado os dois álbuns da banda, tendo sido tocados dez temas de Joy as an Act of Resistance e oito de Brutalism. Clica aqui para veres a setlist na íntegra.

A relação entre o público e a banda era uma de perfeita simetria. Foram abundantes as interações entre os músicos e os fãs, quer fosse à distância quer não. Rara foi a ocasião que permitisse descanso, com balbúrdia que era construída e desconstruída a cada música que era apresentada.

Talvez para surpresa da banda, todas as letras pareciam estar na ponta da língua de cada pessoa que lá se encontrava. É extremamente complicado dissecar a memória e conseguir rotular este ou aquele momento como o melhor: todo o concerto foi uma explosão de energia. É claro que em músicas como Danny Nedelko, I’m Scum, Mother e Great, o coro da plateia tenha sido mais audível, mas não roubam protagonismo coletivo pertencente ao espetáculo em geral.

Joe Talbot, vocalista, constatou diversas vezes que à sua frente se encontrava o melhor público que alguma vez viu. A sua positividade era contagiante e partilhada pelos restantes membros da banda, merecendo destaque Mark Bowen, um dos dois guitarristas, que desempenhou um papel de brincalhão em palco. A camaradagem entre a banda era linda de se ver.

Em certas canções, os Idles fizeram questão de não se limitarem ao palco e abraçaram a audiência. Mark Bowen fez crowdsurf e Lee Kiernan, o outro guitarrista da banda, colocou-se no meio de toda a gente. Por outro lando, a plateia também soube invadir o palco, cantando com Joe ou simplesmente preparando-se para fazer crowdsurf.

Em Exeter, toda a sala se ajoelhou enquanto uma quantia selecionada de fãs femininas foi levada ao palco para tocar algum instrumento ou simplesmente dançar. Este espírito de festa foi consolidado com pequenas covers acapella de We Will Rock You, I Want to Break Free e All I Want For Christmas is You.

Com Rotweiller e um outro prolongado, a banda despediu-se com uma não tão súbtil indicação de que um regresso não está próximo mas também não está distante. Comprovaram à frente de toda a gente o poder da música ao vivo e da relação entre uma banda e os seus fãs.

Quem lá esteve muito provavelmente lamenta a ausência de todos aqueles que não tiveram a chance de testemunhar uma noite inesquecível. Os Idles têm potencial para ir muito longe e asseguram-nos de que nos querem a acompanhar a viagem. Pois bem, podem contar connosco.