A Netflix e a The Roald Dahl Story Company anunciaram hoje (27) a parceria que trará a adaptação em série do universo de histórias de Roald Dahl. A produção está agendada para 2019 e ainda não foram definidas datas de estreia.

A gigante de streaming e a Companhia vão produzir “séries de eventos animados” e edições especiais baseadas num conjunto de trabalhos de Dahl. Esta seleção exclusiva inclui clássicos do icónico universo narrativo do escritor britânico, entre eles Charlie e a Fábrica de Chocolate (1964); Matilda (1988); O Amigo Gigante (1982); Os Idiotas (1980) e Charlie e o Grande Elevador de Vidro (1972).

Também fazem parte da lista de selecionados outros títulos menos conhecidos do autor, tais como O Remédio Maravilhoso do Jorge (1981); O Dedo Mágico (1964) e até dois livros autobiográficos: Boy: Tales of Childhood (1984) e Going Solo (1986).

Grande parte dos clássicos de Dahl já passaram por este processo de passagem “do livro ao grande ecrã” duas vezes até, no caso de Charlie e a Fábrica de Chocolate. Quem não se lembra da versão de 2005 protagonizada por Johnny Depp, com o excêntrico papel de Willy Wonka? A primeira adaptação cinematográfica do conto infantil de 1964 fora escrita sete anos mais tarde pelo próprio autor e gravada por Mel Stuart. Esta primeira versão distinguiu Gene Wilder com o papel de dono da fábrica de chocolate, que viria a ser interpretado por Depp 34 anos mais tarde.

Gene Wilder (1971) e Johnny Depp (2005) no papel de Willy Wonka em Charlie e a Fábrica de Chocolate

À primeira vista, a iniciativa pode não parecer inovadora para quem enche as suas prateleiras com clássicos de Dahl. Porque apostaria a gigante de streaming em coordenar e produzir adaptações outrora feitas? Mas ao que tudo indica, este novo projeto não optará tanto por seguir passos já dados no campo cinematográfico e televisivo.

A Netflix e a The Roald Dahl Story Company não pretendem trabalhar em adaptações lineares dos livros. Em vez disso, a produção propõe ir mais longe ao contar novas histórias que incluam diversas personagens, enredos e cenários do mundo fictício de Dahl. Segundo o press release emitido esta terça-feira, a Netflix pretende construir “um universo de histórias imaginativo, que se expanda muito além das páginas dos próprios livros”, permanecendo “…fiel ao espírito e tom quintessenciais de Dahl”.

“Mergulhar nos mundos extraordinários das histórias de Roald Dahl tem sido uma honra e uma enorme diversão”, comenta Melissa Cobb, a vice-presidente de Conteúdos para Crianças e Família na Netflix. Cobb destaca a enorme ambição criativa da produção de “reimaginar as jornadas das mais preciosas personagens de Dahl de forma inovadora e contemporânea”, prometendo apostar “nos valores de animação e produção de maior qualidade possível”.

Gideon Simeloff, Diretor de Estratégia da Companhia The Roald Dahl Story realça este compromisso: “Não há outro lugar no mundo [Netflix] que possa oferecer entretenimento animado para toda a família, com tanta qualidade e atingindo tal escala”.

Lê Também: Netflix anuncia expansão dos conteúdos de animação originais

No comunicado oficial, Felicity d’Abreu Crosland (viúva do autor) celebrou o acordo: “A nossa missão, propositadamente ambiciosa, é a de levar ao maior número possível de crianças de todo o mundo a experiência da magia singular e mensagens positivas das histórias de Roald Dahl”. A produtora cinematográfica acrescenta ainda: “Esta parceria com a Netflix marca um movimento significativo para que isso se torne possível, e é um novo capítulo entusiasmante para a Roald Dahl Story Company. Sei que Roald ficaria emocionado”.

A plataforma tem feito um grande investimento em produções originais nos últimos meses, aprovando diversos projetos no campo da animação infantil. Entre eles, o Espalha-Factos destaca o remake de Pinóquio dirigido por Guillermo del Toro; o filme Wendell & Wild em animação stop-motion de Henry Selick e Maya and the Three, a nova série da autoria de Jorge Gutierrez.