Estreou no Teatro da Trindade em março e por lá esteve dois meses, com direito a sessões extra. Depois, passeou pelo país, esgotando salas. Agora regressa a Lisboa, no Casino dos Oceanos, entre 29 de novembro e 30 de dezembro. Falamos da peça O Deus da Carnificina, com Diogo Infante, Jorge Mourato, Patrícia Tavares e Rita Salema.

Uma tragédia cómica ou uma comédia trágica

Encenada por Diogo Infante, esta comédia de costumes (sem os bons costumes) estará em cena no Casino dos Oceanos, marcando assim o seu regresso aos palcos da capital. De acordo com o encenador, a peça oscila entre “uma tragédia cómica ou uma comédia trágica, onde a natureza humana e toda a sua evolução social, intelectual e psicológica se desmorona quando impulsos primários e básicos são despoletados por uma discussão parental”.

Dois casais, pais de jovens adolescentes, encontram-se para tentar resolver um incidente no qual os filhos andaram à briga. Pessoas cultas, civilizadas e de classe social elevada tentam apurar as responsabilidades na luta física entre os filhos. Um casal composto por Alberto (Diogo Infante), advogado de uma multinacional farmacêutica com uma ética um pouco debilitada e Bernardete (Rita Salema),  uma mulher com muitas ambições sociais e pouca tolerância ao álcool. Do outro lado da discussão, o outro casal composto por Miguel (Jorge Mourato), um vendedor de eletrodomésticos e Verónica (Patrícia Tavares), dona de casa e interessada em arte africana.

Todos começam a disputa de responsabilidades de forma bastante civilizada. Mas o verniz vai estalando, as primeiras impressões vão-se contradizendo e pouco a pouco, vamos conhecendo a natureza violenta das relações humanas.

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O texto original

Le Dieu du carnage foi escrita por Yasmina Reza (escritora e dramaturga francesa) e publicada em janeiro de 2007. Foi representada pela primeira vez em 2008, no Théâtre Antoine-Simone-Berriau, em Paris. Esta peça já foi representada em Bruxelas, em Espanha, em Nova Iorque, em Montreal, em Tokyo, em Beirute, entre outros locais. É um texto bastante atual, mas “representável certamente daqui a 20 ou 30 anos”, visão de Diogo Infante. De acordo com o encenador, “há uma componente animalesca que está impregnada no nosso ADN, que se manifesta nomeadamente na violência, com a qual temos que aprender a lidar”.

Quando e onde

Podes ver esta peça às sextas e sábados, às 21h30, e domingos às 17h. Estar vai permanecer em cena de 29 de novembro a 30 de dezembro, no Casino dos Oceanos, Lisboa. Os bilhetes estão à venda online e noutros locais habituais por 18 euros.

No dia 29 de novembro, a sessão é especial e dedicada ao ator António Cordeiro, neste momento a sofrer de uma doença grave e incurável que o impede de se movimentar e falar plenamente. Nesse dia, a equipa do espetáculo O Deus da Carnificina, decidiu realizar uma sessão de homenagem ao ator, provando que é nos momentos de maior fragilidade que a amizade e o reconhecimento fazem a diferença. A receita reverterá a favor do António e da sua luta.

Foto: divulgação

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