Já com disco novo, Rosa, a cantora e compositora Luísa Sobral falou com o Espalha-Factos sobre o quinto álbum da carreira. Também houve tempo para recordar a vitória na Eurovisão e os planos para 2019.

Este ano será, com certeza, um ano marcante para Luísa Sobral. A cantora foi mãe pela segunda vez e lançou um novo trabalho discográfico. Qual é o elemento em comum entre ambos? O nome. Rosa é o nome da filha e também é o título do seu quinto álbum.

O disco é composto por declarações de amor à família mais próxima da artista portuguesa. Rosa é constituído apenas por temas cantados em português. “Foi uma decisão consciente. Fi-lo porque é a minha língua materna, e como disco é dedicado aos meus filhos, queria que eles percebessem a mensagem e também consigo emocionar-me com mais facilidade”, explica Luísa Sobral.

Em conversa com o Espalha-Factos, conta que a gravidez fez com que a compositora adquirisse nódulos na garganta. Por essa razão, a cantora teve de aprender a usar a sua voz de forma diferente.

“Fiquei rouca durante a gravidez e por isso tive de descobrir um sítio mais grave [na voz] e comecei a compor nesse registo. A dado momento, pensei: ‘a minha filha está mesmo a influenciar o caminho deste disco’. Tive que dar nome dela a este trabalho”.

Apesar da tenra idade, Rosa já entrou num estúdio de gravação. O momento foi fotografado para um dia mais tarde recordar. “Ela teve essa sorte. Na altura tinha apenas três meses. Chegou a comer lá e depois o meu marido ia-se embora. Acho que até o meu filho nem chegou a entrar num estúdio”.

Na cadeira da produção musical

Relativamente à produção do disco, Luísa Sobral teve no cargo o catalão Raul Refree, que chegou a colaborar com Rosalía, Silvia Perez Cruz  e Lee Ranaldo (antigo guitarrista dos Sonic Youth). A compositora salienta que gostava bastante do seu trabalho. “Ele é uma pessoa que dá muito valor à voz. Os arranjos são sempre em prol da canção e sou admiradora dessa perspetiva”.

Para além da faceta mais conhecida do grande público, Luísa Sobral é também produtora musical. Foi responsável de As Blue As Red, disco de Elisa Rodrigues, lançado este ano. “Adoro tentar trazer o melhor do artista cá para fora e acho que tenho visão nesse sentido. Eu consigo ouvir uma canção e imaginar como ficaria melhor produzida e quero fazer mais isso“. Questionada sobre que artista gostaria de trabalhar, a resposta foi ponderada.

“Talvez Sara Tavares, sendo que não conheço muito bem o mundo dela [o da música cabo-verdiana] e seria, sem dúvida, um desafio. Sou super-fã dela e gostava muito [de produzir um disco]”.

Fevereiro de 2019 é o mês do qual Luísa Sobral irá apresentar ao vivo o seu quinto disco ao público português. Dia 9 atua na Casa da Música, no Porto, e, depois, ruma a Lisboa no Teatro Tivoli BBVA, dia 22. Nestes espetáculos, a artista irá subir ao palco com uma formação de músicos diferentes.

“Do que posso revelar agora, o público pode esperar uma roupagem diferente relativamente aos temas mais antigos do meu repertório. Se terei convidados, é algo que só devo saber mais próximo das datas, mas não me preocupo com isso porque quero apresentar o disco tal como gravei”.

Para além de Luísa na voz e na guitarra, a banda será composta por Sérgio Charrinho no fliscorno, Gil Gonçalves na tuba, Ângelo Caldeira na trompa, e por fim, Mário Delgado na guitarra.

Balanço sobre a Eurovisão

“Parece uma coisa muito longínqua no tempo”. É desta forma que Luísa Sobral começa por falar sobre a experiência eurovisiva de 2017, ao qual a delegação portuguesa conseguiu uma vitória inédita no Festival da Canção. “A nível familiar foi muito forte para nós [Luísa e Salvador Sobral]. Termos sido bem sucedidos como equipa foi uma experiência incrível, tanto a nível pessoal como profissional”.

Sobre a possibilidade de regressar ao festival da Eurovisão? Luísa Sobral dissipa quaisquer dúvidas. “[A resposta é] não. Eu acredito muito nas coisas que acontecem uma vez por uma razão. Eu nunca fui de festivais, […] não tem nada a ver comigo. Eu fiz aquilo naquela altura porque fui convidada e fez todo o sentido”.

Por enquanto, Luísa Sobral põe de parte a hipótese de fazer, num futuro próximo, um disco em conjunto com Salvador. “Ainda temos de fazer alguns discos na carreira até termos esse ‘à vontade’. Queremos ganhar independência e não sermos considerados como inseparáveis um do outro”, salienta.

O single de Rosa é O Melhor Presente e, por isso, o Espalha-Factos não resistiu fazer esta pergunta. “Qual é o melhor presente que recebeste?”. “Foi o meu irmão supostamente (risos). Na minha vida, foi o meu irmão e os meus filhos”.