A Netflix produziu mais uma série e desta vez, o enfoque é a cantora brasileira Anitta. Vai Anitta promete contar a história de Larissa Machado, a rapariga que começou a sua carreira num vídeo caseiro a cantar com um desodorizante e que, nos últimos anos, tem dado a conhecer ao mundo o funk brasileiro.

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Deixamos um disclaimer: que saltem à frente aqueles que esperam ver os hits da cantora. Vai Anitta é a mostra daquele a que chamou projeto Checkmate, que inclui os temas Will I See You, Is That For Me, Downtown e Vai Malandra. Mais do que acompanhar do dia a dia da artista, a série procura desmontar os mitos criados acerca de uma das mais icónicas cantoras brasileiras.

A série começa – como esperaríamos – com uma pequena trajetória do percurso da artista, desde que começou até 2017, o ano do projeto Checkmate. Neste repassar pelos anos da artista, salientam-se as raízes humildes, a ligação à família e o facto de mesmo com o seu crescimento – acentuado desde 2013 -, nunca ter deixado aqueles que a apoiaram desde o começo.

FOCO E DETERMINAÇÃO

É possível que estas tenham sido as duas palavras mais ouvidas durante os seis episódios que dão corpo à primeira temporada de Vai Anitta. Contudo, entende-se que, para Larissa, a vida se revê e completa no trabalho. Com o irmão do seu lado e uma equipa muito familiar, cabe à cantora ter os olhos e o controlo em tudo aquilo que faz. A passagem do mercado brasileiro para os mercados internacionais – europeu e americano -, foram a prova desse mesmo feito. Foi a leitura crítica e analítica que fez de tudo aquilo que é produzido fora do Brasil e que permitiu à cantora dar o tão esperado salto.

Os trinta minutos que compõem cada um dos episódios são completos e espelho daquilo que Anitta procura para a sua carreira. Relatos na primeira pessoa, vídeos caseiros, imagens de bastidores, entrevistas a amigos, familiares e equipa compassam cada capítulo desta história. A banda sonora, como seria de esperar, está a cargo da própria e nela são escolhidas as quatro músicas que deram corpo ao projeto checkmate.

Anitta

CHECKMATE AOS MERCADOS INTERNACIONAIS?

Do que é que se trata o projeto checkmate? Nada mais nada menos do que a produção de quatro músicas – em parceria com produtores e artistas internacionais -, seguidas de videoclip e com o objetivo de fugir à tradicional conceção de álbum. A estratégia, que já havia sido adotada por vários artistas nos Estados Unidos, foi trazida para o Brasil por Anitta.

A primeira faixa, Will I See You, foi realizada por Poo Bear e apresenta ao público uma artista que até à data não era conhecida nos grandes circuitos. Is That For Me uniu-os – e veja-se na série – os grandes amigos Anitta e Alesso, numa batalha pela preservação da Amazónia, num dos videoclips – considerados pela artista – como mais polémicos até à data. A tríade é composta por Downtown, feita em parceria com J. Balvin e no mesmo período em que o artista convida Larissa para participar em Machika. O círculo é fechado com Vai Malandra, um regresso às origens, retrato social e crítica ao Brasil desigual.

Pela cabeça da artista passam todas as fases do processo, desde a sua imaginação até à produção do produto final. Vai Anitta é a materialização de um dia da brasileira, para a qual os dias de 24 horas pedem o dobro do tempo. Latentes também são as relações na indústria da música, que muitas vezes se vê tão competitiva. Nomes como Rita Ora, Jojo Todynho, J. Balvin, Poo Bear ou Alesso fazem parte do grupo de amigos da cantora.

DE LARISSA A ANITTA

Apesar deste lado trabalhador, intenso e vivo no que à carreira diz respeito, Larissa não descura a sua base, as suas origens. O cultivar dos laços com a família, que lhe serve de apoio e estrutura à carreira, bem como a relação com os companheiros que seguem com ela desde os primeiros concertos e mesmo o afamado casamento são escrutinados nesta série.

Mas de uma coisa não podemos fugir, a funkeira que se deu a conhecer ao mundo e que saiu dos limites que alguma vez o Brasil lhe poderia dar. Anitta é o concretizar de uma crítica que há poucos anos estava latente na comunidade brasileira: o preconceito em torno da música funk. Ainda que fossem passíveis de fazer críticas a este estilo de música, deixemos isso para outro texto.

É pelas mãos e voz de Anitta que o funk sai dos bailes e se dá a conhecer ao mundo. Em parcerias com artistas estrangeiros ou pelas suas próprias músicas, esta provou que o empoderamento feminino também é possível num meio tantas vezes pautado por machismo ou misoginia. Larissa reflete nos seus fãs aquilo que se poderia considerar como o american dream e deixa-nos a sonhar com a segunda temporada de Vai Anitta, que estará para breve.