Desde segurança, a inteligência artificial, ambientalismo, redes sociais ou até a máquinas voadoras sensíveis aos humanos e Sophia, o robot, foram muitos os oradores, startups, e ideias que passaram pelos quatro dias daquela que é a maior conferência sobre tecnologia da Europa. 

Se houve assunto que pautou de forma transversal os discursos dos quatro dias de conferências foi a segurança, a privacidade e a democracia no digital. Segundo Brad Smith, Presidente da Microsoft, “as novas gerações criaram também uma nova geração de desafios e ameaças”. Falou-nos de “WannaCry” ou “NotPetya”, ataques cibernéticos que impactaram sem precedentes o Reino Unido e a Ucrânia, prejudicando gravemente um vasto conjunto de setores, nomeadamente o dos cuidados de saúde. Ambos aconteceram em 2017 e ofereceram graves ameaças à paz digital, já que “se tudo está conectado, tudo pode ser destruído”. De forma a evitar novos ataques, a Microsoft criou o “Cybersecurity Tech Accord“, que integra mais de 60 companhias internacionais de forma a promover a segurança no meio digital e a proteger os cidadãos.

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Não há dúvida de que a tecnologia tem transposto os limites da realidade e se há céticos em relação a tal, a Web Summit é o local ideal para ter contacto com as tecnologias mais avançadas que estão a ser desenvolvidas. Yves Bernaert, Diretor Administrativo Sénior da Accenture, trouxe a magia ao palco principal quando fez pequenas máquinas voar apenas através de sensores, gesticulando e soprando para que se movessem. Além disso, Sophia e o seu irmão Han marcaram também a já habitual presença em vários palcos. Goertzel, seu criador, apresentou essencialmente melhorias ao nível das expressões faciais e  da identificação de emoções.

Também as redes sociais e a forma como interagimos foram conteúdos abordados, nomeadamente pelo CEO do Twitter, Jack Dorsey. “Tenho orgulho de ter feito parte dessa criação”, afirma acerca da rede social. No entanto quando questionado acerca do que mudaria no seu funcionamento, refere a possibilidade de termos acesso ao número de seguidores de contas que não a nossa, já que isso tornou o Twitter num “jogo de popularidade”.

Jack Dorsey

No seguimento da conversa com Jack, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, subiu ao palco para encerrar a terceira edição da conferência. Três desafios foram cumpridos desde a última presença da Web Summit em Portugal: provar que as mudanças climáticas não são ficção, manter a conferência no país e continuar a evoluir através de pequenas empresas e startups. Mas o Presidente lança três novos objetivos para 2019: criar uma plataforma digital permanente em Lisboa e não apenas durante os quatro dias da Web Summit, não deixar nenhuma fração da sociedade para trás e ir além da intolerância e da violência. “O digital trata-se de liberdade, abrir economias e sociedades” por isso, termina, “há que usar a revolução digital para o diálogo e para a paz”.

Marcelo Rebelo de Sousa

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